DF é condenado por demora na restituição de veículo recuperado

Data:

detran-sp
Créditos: jirkaejc | iStock

A 4ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação do Distrito Federal ao pagamento de indenização por danos morais e reconheceu, ainda, o dever de reparar danos materiais decorrentes da demora de quase dez anos na restituição de veículo recuperado à sua proprietária.

Segundo os autos, em dezembro de 2012 foi instaurado inquérito policial para apurar o roubo do automóvel. O veículo foi localizado e passou à custódia da Polícia Civil do DF em 2015, porém a proprietária somente foi informada sobre sua localização em 2024. A autora sustentou que, durante esse período, o bem permaneceu abandonado, sem qualquer manutenção, o que ocasionou sua deterioração. Diante disso, requereu indenização pelos prejuízos sofridos.

Em primeira instância, o Distrito Federal foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais. Ambas as partes recorreram: a autora pleiteou a majoração do valor fixado e o reconhecimento do dano material, enquanto o DF alegou ausência de omissão estatal, afirmando que a restituição somente ocorreu após a conclusão do laudo pericial e que houve dificuldade para localizar a proprietária por falta de dados atualizados.

Ao analisar os recursos, a Turma destacou que, embora tenha sido determinada a localização da proprietária em maio de 2016, a devolução do veículo ocorreu apenas em junho de 2024. Para o colegiado, ficou evidenciada a “manifesta desídia do Estado em adotar as medidas necessárias para a devolução do bem à legítima proprietária”.

O acórdão ressaltou, ainda, que o endereço constante do boletim de ocorrência era idêntico ao informado pela autora na petição inicial, o que demonstra a ausência de diligência mínima por parte da Administração Pública para efetuar a notificação.

De acordo com os desembargadores, a restituição do veículo após quase uma década caracteriza erro administrativo suficiente para ensejar a responsabilização do Estado. Quanto ao dano material, a Turma entendeu que a exposição prolongada do bem às intempéries, sem manutenção, justifica a indenização proporcional à deterioração sofrida durante o período em que esteve sob custódia do réu.

Em relação ao dano moral, o colegiado reconheceu que a privação injustificada do veículo por lapso temporal desproporcional configura lesão indenizável.

Assim, o recurso da autora foi provido para condenar o Distrito Federal ao pagamento de indenização por danos materiais, a ser apurada em fase de liquidação de sentença, além de R$ 7 mil a título de danos morais. A decisão foi unânime.

Processo nº 0716229-31.2024.8.07.0018.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo