STF anula regra de MT que incluía empregados públicos no regime próprio de previdência estadual

Data:

stf
Créditos: 5second | iStock

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional dispositivo da Constituição de Mato Grosso que permitia a empregados públicos estaduais a aposentadoria pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), desde que não fossem temporários e tivessem filiação ao regime superior a cinco anos.

A decisão unânime foi proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7683, proposta pelo próprio governo de Mato Grosso, e julgada na sessão plenária virtual concluída em 19/12. A norma anulada constava do artigo 65 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) do estado, incluído pela Emenda Constitucional estadual 114/2023.

Em seu voto, o ministro relator Cristiano Zanin destacou que o artigo 40 da Constituição Federal determina que o RPPS é exclusivo para servidores titulares de cargos efetivos. Os demais agentes públicos, incluindo empregados públicos, estão sujeitos ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o relator, esta regra é obrigatória e os estados não podem ampliar os segurados do RPPS.

O ministro afastou o argumento da Assembleia Legislativa de Mato Grosso de que a norma apenas reconhecia o vínculo previdenciário para empregados que contribuíram efetivamente ao RPPS estadual. Para Zanin, o legislador estadual “pretendeu encobrir, sob aparência de direito adquirido, regime jurídico flagrantemente inconstitucional”.

O relator lembrou que a jurisprudência consolidada do STF estabelece que, desde a Emenda Constitucional 20/1998, não é possível criar ou manter regime próprio de previdência para servidores sem cargo efetivo.

(Com informações do STF por Adriana Romeo)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo