PSB contesta dispositivos da Lei de Alienação Parental por alegar desestímulo a denúncias de abuso

Data:

Alienação Parental
Créditos: monkey businessimages | iStock

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) apresentou uma contestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando determinados trechos da Lei de Alienação Parental, argumentando que esses dispositivos são frequentemente utilizados por homens para encobrir casos de abusos e violência doméstica, especialmente contra mulheres.

Conforme a Lei 12.318/2010, alienação parental consiste na interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente, promovida por um dos genitores, avós ou responsáveis legais, visando fazê-los repudiar um dos pais ou causar prejuízo aos vínculos familiares.

Um dos pontos contestados pelo PSB (artigo 2º, parágrafo único, inciso VI), na ação (ADI 7606) considera como exemplo de alienação parental a apresentação de falsas denúncias contra genitores, familiares ou avós, com o intuito de dificultar sua convivência com a criança ou adolescente.

Segundo o partido, essa medida tem contribuído para que denúncias de abuso sexual e doméstico sejam rotuladas como falsas, simplesmente por envolverem disputas pela guarda dos menores. Isso tem levado mães a deixarem de denunciar casos de violência, temendo serem consideradas alienadoras e perderem a guarda de seus filhos.

O PSB cita o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero de 2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reconhece que alegações de alienação parental são frequentemente utilizadas por homens para encobrir casos de abuso e violência doméstica, especialmente contra mulheres.

Outro dispositivo questionado pelo partido (artigo 4º) estabelece que, ao ser declarado indício de ato de alienação parental, o juiz deve determinar, com urgência, medidas provisórias para preservar a integridade psicológica do menor e assegurar sua convivência com o genitor, ou viabilizar a reaproximação entre ambos, se necessário.

Na avaliação do PSB, a exigência de meros indícios pode resultar em injustiças, como a inversão da prioridade de proteção da criança e do adolescente. Isso porque, em vez de afastar fisicamente o acusado, é geralmente a mãe denunciante que perde o convívio com a vítima que buscou proteger.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7606 foi distribuída ao ministro Flávio Dino para análise.

Com informações do Supremo Tribunal Federal (STF).


Você sabia que o Portal Juristas está no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram, WhatsApp, Google News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STF retoma julgamento sobre uso da metragem dos imóveis no cálculo do IPTU

O STF retomou a análise de recurso apresentado por Chapecó (SC) contra decisão que considerou inconstitucional a definição da alíquota do IPTU com base na área construída do imóvel. O julgamento pode repercutir sobre legislações municipais, critérios de tributação e pedidos de restituição, além de suscitar debates sobre segurança jurídica e eventual modulação dos efeitos da decisão.

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo