União deve regularizar adoção de menor pela tia após a morte dos pais

Data:

Adoção
Créditos: Freepik Company S.L.

A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) rejeitou o recurso da União e determinou que a mesma emita uma Carta de Reconhecimento para Adoção Internacional em favor do sobrinho da autora do processo. Segundo o apelo da União, a autora equivocadamente buscou adoção nacional no Brasil, quando, na verdade, deveria ter realizado o processo nos Estados Unidos, onde reside.

O relator do caso, desembargador federal Souza Prudente, ao analisar a apelação (1041598-33.2020.4.01.3400), constatou que a autora adotou legalmente o sobrinho na Vara da Infância e Juventude de Londrina, após a trágica morte simultânea dos pais da criança.

adoção irregular
CréditoS: Phanuwat Nandee | iStock

Embora a intenção da autora de levar o menor para viver nos Estados Unidos tenha sido expressa, a adoção não teve o devido reconhecimento das autoridades envolvidas em adoções internacionais, o que resultou na recusa da Autoridade Central Administrativa Federal (Acaf) em emitir a Carta de Reconhecimento da adoção.

O desembargador observou que, embora os procedimentos legais não tenham sido seguidos estritamente, está comprovado que a autora desempenha o papel de família para o menor, estabelecendo vínculos afetivos. A ausência de outros familiares aptos para cuidar da criança também foi constatada.

Adoção póstuma com prova inequívoca de vínculo familiar é aceita no STJ
Créditos: Andrey_Popov / Shutterstock.com

O magistrado reconheceu que a recusa da Acaf, baseada apenas na ausência de formalidades processuais, vai contra o princípio da razoabilidade e prejudica o melhor interesse da criança. Afinal, há quatro anos o menor está sob os cuidados da autora nos Estados Unidos, com ciência das autoridades brasileiras.

Concordando com a decisão do relator, a 5ª Turma do TRF1 negou o recurso da União. Portanto, a União deverá habilitar a autora junto à Acaf e emitir a Carta de Reconhecimento da adoção internacional, conforme solicitado pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos, para regularizar o visto da criança junto ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).

Com informações do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Juiz identifica tentativa de manipulação com IA em processo e aciona OAB na Paraíba

Um juiz da Paraíba identificou possível uso de comandos ocultos em petição judicial para interferir em sistemas de inteligência artificial e encaminhou o caso à OAB para apuração disciplinar. A conduta pode violar deveres de boa-fé e lealdade processual previstos no Código de Processo Civil.

Júri dos EUA decide contra Elon Musk em disputa com OpenAI sobre missão da empresa de IA

Um júri norte-americano decidiu contra Elon Musk em processo contra a OpenAI, que ele acusava de abandonar sua missão original e priorizar o lucro. O tribunal entendeu que não houve responsabilidade da empresa nos termos alegados. O caso reforça o debate global sobre o equilíbrio entre inovação, ética e interesses comerciais no desenvolvimento da inteligência artificial.

Fux abre divergência no STF e defende restrição do foro por prerrogativa de função

No julgamento sobre o alcance do foro por prerrogativa de função, Luiz Fux divergiu do relator e defendeu uma interpretação mais restritiva, com manutenção de processos já em fase avançada no juízo de origem e exclusão do foro após o desligamento do cargo. O STF segue analisando o caso em plenário virtual, com maioria provisória favorável ao voto de Gilmar Mendes.

Marcello Perino diz que reforma do Código Civil deve evitar insegurança e judicialização

A audiência pública promovida pela Comissão Temporária do Senado em 7 de maio para discutir o Projeto de Lei nº 4/2025, que atualiza o Código Civil, expôs divergências relevantes sobre os impactos econômicos e jurídicos da proposta, especialmente nos campos do Direito Empresarial e do Direito das Coisas.