Ministra Cármen Lúcia Suspende Cláusulas de Norma a Respeito de Substituição Tributária Relativa ao ICMS

Data:

Presidente do STF concedeu medida cautelar parcial para suspender 10 cláusulas de convênio celebrado pelo Confaz com objetivo de normatizar protocolos referentes ao ICMS

A ministra do STF, Cármen Lúcia, concedeu uma medida cautelar para interromper o efeito de 10 cláusulas de um convênio que foi celebrado pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), com intuito de normatizar os protocolos de todos os Estados e do Distrito Federal a respeito da substituição e antecipação tributária sobre o ICMS.

A decisão foi tomada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5866, que por sua vez foi ajuizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Decisão com base em argumentos

A decisão da ministra foi tomada porque ela considerou os argumentos usados pela autora que dizia respeito aos benefícios financeiros que seriam decorrentes das mudanças no sistema normativo que diz respeito às substituições e antecipações tributárias do ICMS que incide em operações interestaduais.

As cláusulas que foram suspensas foram da 8ª a 14ª, 16ª, 24ª e 26ª do Convênio ICMS nº 52/2017, já que seria muito difícil reverter os efeitos dessas medidas, caso elas entrassem em vigor.

Decisão pretende evitar prejuízos

Na tese defendida pela autora, a CNI pediu que se declarasse inconstitucional o texto do convênio em sua íntegra. O argumento é de que o ato normativo extrapolou os limites propostos pela Constituição Federal sobre as matérias abordadas no texto, além de invadirem o campo de incidência da lei. A sustentação da liminar denota que os prejuízos da aplicação do convênio seriam muito grandes.

A princípio, a ministra Cármen Lúcia deferiu o pedido da CNI com caráter de urgência, já que os riscos causados pela espera das providências de competência do relator poderiam ser irreversíveis.

A decisão da ministra confirmou o argumento que foi desenvolvido na petição inicial, de que a cláusula constitucional de reserva de lei foi desobedecida, de acordo com o que consta nos artigos 145, inciso III, artigo 150, parágrafo 7º e artigo 155, parágrafo 2º, inciso XII. De acordo com Cármen Lúcia, tais dispositivos estão direcionados à lei complementar nacional, que serve de base para a regulamentação geral do ICMS.

De acordo com a ministra, a substituição tributária somente pode ser veiculada através de uma lei complementar. Ela também disse que deve-se respeitar a norma constitucional, que determina que o sistema de impostos é de configuração jurídica nacional.

Carmen também disse que a forma de cobrança que constava nos autos levava a uma espécie de bitributação, ou seja, o ICMS incidiria, praticamente, duas vezes na espécie. A bitributação é vedada pela Constituição da República.

Fonte oficial: STF

Você adora todo esse universo processual e sempre quis ser advogado? Leia nosso artigo sobre como ser um advogado e tire todas as suas dúvidas.

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Associação de restaurantes pede suspensão de compras intermediadas pela Keeta

A Associação Nacional de Restaurantes ajuizou ação civil pública contra a Keeta na Justiça de São Paulo para questionar o modelo de compra intermediada da plataforma, que permite a inclusão de estabelecimentos no aplicativo sem autorização prévia. A entidade pede a suspensão da prática e aponta possíveis prejuízos à liberdade comercial, à concorrência e à relação entre restaurantes e consumidores. A Keeta afirma que a modalidade é experimental e está em conformidade com a legislação brasileira.

TJ-SP mantém recuperação judicial e afasta impedimento por falhas contábeis sanáveis

O TJ-SP manteve, por unanimidade, o processamento da recuperação judicial do Grupo Fictor, entendendo que inconsistências contábeis sanáveis e dúvidas sobre a situação econômica das empresas não justificam o indeferimento do pedido na fase inicial. O tribunal também preservou a nomeação de um agente de monitoramento para fiscalizar e apurar possíveis irregularidades.

Kitchens pede recuperação judicial após atrasos nas entregas e centenas de ações judiciais

A Kitchens e outras três empresas do grupo ingressaram com pedido de recuperação judicial em meio a dificuldades financeiras, atrasos nas entregas e ações movidas por consumidores. Levantamento identificou 133 processos contra a fabricante em 2026, distribuídos entre quatro tribunais estaduais. O pedido ainda depende de análise pelo juízo competente.

Comissão de Compliance da OAB destaca importância da integridade no ambiente corporativo

A Comissão Especial de Compliance do Conselho Federal da OAB debateu a importância da educação para a integridade na consolidação de práticas éticas nas instituições. O encontro destacou o papel da conscientização, da capacitação e dos mecanismos de prevenção na efetividade dos programas de compliance e no fortalecimento da governança.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo