STF amplia poderes da DPU em processo sobre proteção aos povos indígenas

Data:

Eleições Municipais - Luís Roberto Barroso
Créditos: Reprodução do Youtube – SBT Jornalismo

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e concedeu permissão para que a instituição atue na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, atuando como “guardiã dos vulneráveis.” Nessa posição, a DPU possui prerrogativas semelhantes às partes do processo, como a capacidade de fazer pedidos independentes, solicitar medidas cautelares e coletar provas, além de interpor recursos e ter um tempo regular de sustentação oral.

A DPU já havia sido admitida na ação como “amicus curiae,” uma figura jurídica que fornece subsídios para aprimorar a decisão, mas com limitações em sua atuação. Agora, sua admissão no novo papel de “custos vulnerabilis” permite que ela intervenha nos processos, em nome próprio, mas em prol dos direitos dos necessitados, fortalecendo assim a defesa de interesses coletivos e difusos de grupos que, de outra forma, não teriam voz.

STF amplia poderes da DPU em processo sobre proteção aos povos indígenas | Juristas
Brasília 24/04/2023 (DF) – Povos indígenas de todo o Brasil unidos na defesa de suas terras e direitos no 19º Acampamento Terra Livre, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em Frente Congresso Nacional.Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A ação foi apresentada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e seis partidos políticos contra supostas falhas e omissões do Poder Público no combate à pandemia da COVID-19 em relação aos povos indígenas brasileiros.

Barroso explicou que esse tipo de atuação da DPU deve atender a certos requisitos, conforme indicados pela doutrina jurídica. Estes requisitos incluem:

  • A vulnerabilidade dos destinatários da decisão, ou seja, a condição de desvantagem ou fragilidade das partes envolvidas.
  • O elevado grau de desproteção judiciária dos interesses que se pretende defender, indicando a necessidade de proteção legal.
  • A formulação do requerimento por defensores com atribuição para a matéria, garantindo que os advogados envolvidos tenham a devida competência na área.
  • A pertinência da atuação com uma estratégia institucional, que se expressa na relevância do direito ou no impacto do caso sobre um amplo universo de representados.

Esses requisitos ajudam a direcionar a atuação da DPU em defesa dos vulneráveis e a garantir que a instituição possa desempenhar um papel eficaz na proteção dos direitos dessas partes.

STF amplia poderes da DPU em processo sobre proteção aos povos indígenas | Juristas
DPU –
banco de Imagem STF
bancoImagemSco_AP_502481

Na perspectiva do ministro Barroso, a atuação da DPU como “guardiã dos vulneráveis” é fundamental em diversas ocasiões, uma vez que desempenha um papel crucial na defesa dos interesses e na redução da invisibilidade das partes mais necessitadas. “A Defensoria Pública é a instituição constitucionalmente incumbida da defesa dos grupos estigmatizados”, ressaltou. Isso é especialmente relevante no contexto das ações de controle concentrado de constitucionalidade. A DPU, ao atuar nesse papel, contribui para garantir que os direitos dos vulneráveis sejam protegidos e que a justiça seja efetivamente acessível a todos, cumprindo assim sua missão constitucional de promover a justiça e a igualdade.

O ministro Barroso ressaltou que a habilitação da Defensoria Pública da União (DPU) na nova condição de “guardiã dos vulneráveis” não pretende substituir a voz das pessoas envolvidas nem retirar o protagonismo delas. Pelo contrário, essa atuação da DPU visa a somar esforços na defesa dos direitos dessas pessoas, reforçando a proteção de seus interesses e garantindo uma atuação mais abrangente na busca por justiça e igualdade. “Equilibra-se um pouco mais a balança de uma jurisdição constitucional que, em um país tão desigual, sempre foi mais acessível às elites políticas e econômicas”, concluiu.

Com informações do Supremo Tribunal Federal (STF).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Fachin anuncia projeto de lei para regulamentar remuneração de magistrados

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, anunciou que pretende concluir até o final de 2026 uma minuta de projeto de lei federal para regulamentar a remuneração dos magistrados. A proposta integra uma agenda mais ampla de defesa da integridade, transparência e controle dos gastos públicos. Fachin também apresentou ao CNJ medidas para prevenir conflitos de interesse na magistratura.

Gusttavo Lima é responsabilizado por transtornos causados por número em música

Gusttavo Lima foi condenado a pagar cerca de R$ 149 mil a um empresário que afirmou ter recebido milhares de mensagens e ligações após seu número de telefone ser mencionado na música “Bloqueado”. A Justiça entendeu que a divulgação da canção contribuiu para os transtornos sofridos pelo proprietário do número. A decisão ainda não transitou em julgado e o pagamento foi determinado provisoriamente.

Estudo aponta falhas estruturais no combate à violência contra a mulher no Brasil

Estudo da Rede Nacional de Controle Externo pela Proteção das Mulheres, com dados dos 27 tribunais de contas brasileiros, identificou falhas de orçamento, planejamento, equipes e integração entre órgãos responsáveis pelo enfrentamento à violência contra a mulher. Auditorias apontaram estruturas incompletas, baixa execução orçamentária e ausência de planos formais em diversos municípios.

Executivos do Goldman Sachs são alvo de investigação por suposta fraude societária

A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de fraude e abuso na administração de sociedade por ações em investigação envolvendo a estrutura societária de fundos ligados à Oncoclínicas. A apuração busca esclarecer se informações sobre a participação da Centaurus Capital foram omitidas ou apresentadas de forma irregular para evitar uma oferta pública de aquisição de ações. O Goldman Sachs nega irregularidades, enquanto a CVM já havia concluído que a Centaurus não estava obrigada a realizar a OPA.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo