STJ decide contra citação por redes sociais em processos jurídicos

Data:

STJA Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão rejeitando o recurso de uma empresa credora que buscava a citação de um devedor por meio de mensagens em redes sociais. A alegação da empresa era a dificuldade em citar pessoalmente o devedor, levando-a a propor a citação eletrônica.

No entanto, o tribunal ressaltou que, embora possa ocorrer a convalidação de atos realizados por aplicativos de mensagens ou redes sociais caso cumpram suas finalidades, não existe base legal ou autorização específica para essa forma de comunicação processual. O uso inadequado poderia acarretar vícios de forma e nulidade nos atos comunicados dessa maneira.

Nancy Andrighi - Ministra do STJ
Créditos: Reprodução / TV Justiça

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, apontou que, embora o princípio da instrumentalidade das formas permita a convalidação de atos praticados com irregularidades formais, ele não deve ser utilizado para antecipar a validação da realização de atos de forma diferente do previsto na lei. Ela destacou que o Código de Processo Civil dispõe de regra específica para citar réus não encontrados, que é a citação por edital.

Andrighi também observou que a discussão sobre a comunicação de atos processuais por meio de aplicativos de mensagens ou redes sociais se intensificou a partir de 2017, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) autorizou o uso de ferramentas tecnológicas para tal fim. Porém, essa prática não possui uma base legal específica.

STJ decide contra citação por redes sociais em processos jurídicos | Juristas
Créditos: Sergey Nivens / Shutterstock.com

Ela ainda apontou que a Lei 14.195/2021 trouxe modificações no Código de Processo Civil, permitindo o envio de citação por e-mail, mas não tratou da possibilidade de comunicação por aplicativos de mensagens ou redes sociais. Além disso, nenhum dispositivo legal brasileiro ampara a tese de que a citação por redes sociais já estaria autorizada.

A ministra também enfatizou que o uso de redes sociais para citação processual enfrenta diversos desafios, como a existência de perfis falsos e homônimos, a facilidade de criação de perfis fictícios e a incerteza quanto ao efetivo recebimento do mandado de citação.

Com isso, a decisão do STJ reflete a necessidade de uma uniformização das regulamentações sobre a comunicação eletrônica de atos processuais, com regras claras e isonômicas para todos os casos.

Com informações do Superior Tribunal de Justiça (STJ).


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Bruno Dantas formaliza renúncia ao cargo de ministro do TCU e abre caminho para indicação de Rodrigo Pacheco

O ministro Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU), com saída prevista para 9 de setembro. A vaga, destinada à indicação do Senado Federal, deverá ser disputada politicamente e o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força para assumir o posto. A mudança ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e às articulações do Congresso antes das eleições de 2026.

TSE deve definir limites para uso de deepfakes nas eleições e critérios para punições

O TSE analisa critérios para definir o que caracteriza deepfake eleitoral e quais punições poderão ser aplicadas pelo uso irregular de conteúdos produzidos por inteligência artificial. O debate envolve especialmente vídeos e áudios com elevado grau de realismo e potencial para confundir o eleitor, além da diferenciação entre deepfakes e manifestações claramente fictícias, como memes, caricaturas e conteúdos satíricos.

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo