Dirigente de entidade religiosa mantém direito ao seguro-desemprego, decide TRF-1

Data:

Dirigente de entidade religiosa mantém direito ao seguro-desemprego, decide TRF-1 | Juristas
Créditos: BrunoWeltmann/Shutterstock.com

A condição de dirigente de entidade religiosa, por si só, não é suficiente para afastar o direito ao recebimento do seguro-desemprego. Com esse entendimento, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), por unanimidade, manteve a liberação do benefício a um homem que exerce a presidência de uma instituição religiosa.

Ao analisar o caso, o relator, desembargador federal João Luiz de Sousa, destacou que o indeferimento administrativo do seguro-desemprego se baseou exclusivamente no argumento de que o autor possuiria renda própria em razão de sua atuação como líder religioso.

Para o magistrado, contudo, a simples vinculação do trabalhador a uma entidade religiosa não é suficiente para caracterizar fonte de renda. Segundo consignado no voto, a negativa do benefício, fundada apenas na condição de dirigente, sem a comprovação de percepção de remuneração, configura ato abusivo e destituído de respaldo legal.

No processo, ficou demonstrado que o autor havia sido dispensado de seu emprego formal e se encontrava desempregado, sem qualquer fonte de renda no momento do pedido do benefício. Não houve prova de que a atividade desempenhada na entidade religiosa fosse remunerada.

Dessa forma, ao constatar que a decisão administrativa apenas presumiu a existência de renda própria, sem apresentar elementos concretos que comprovassem o pagamento pela função exercida na instituição religiosa, o colegiado reconheceu a ilegalidade do indeferimento.

Com isso, a 2ª Turma do TRF-1 manteve a concessão do seguro-desemprego ao autor da ação.

Processo nº 1035824-71.2024.4.01.3500.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo