Especialistas e senadores propõem ações integradas contra violência em escolas

Data:

Acidente de trabalho em sala de aula resulta em aposentadoria integral para mestre
Créditos: BonNontawat / Shutterstock.com

Durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (13) na Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado, parlamentares e especialistas defenderam ações estruturadas, intersetoriais e preventivas para enfrentar o aumento da violência em escolas brasileiras. O debate girou em torno do Projeto de Lei 5.671/2023, que estabelece diretrizes de segurança escolar e prevê alterações na Lei do Fundo Nacional de Segurança Pública para financiar as medidas.

O relator do projeto e autor do requerimento para a audiência, senador Efraim Filho (União-PB), destacou a necessidade de ampliar recursos para infraestrutura e capacitação dos profissionais da educação, com atenção especial às áreas mais vulneráveis. Já o senador Jorge Seif (PL-SC) alertou para o crescimento de ataques fatais em escolas, especialmente nos últimos anos, e defendeu a integração entre educação, segurança pública e saúde mental.

O senador Sérgio Moro (União-PR) defendeu penas mais severas para crimes cometidos em ambiente escolar e a criminalização dos atos preparatórios para que as autoridades possam intervir antes da consumação dos ataques.

Crise de segurança escolar exige resposta estratégica

A diretora de Comunicação da Asis Capítulo São Paulo, Ana Flávia Bello, ressaltou que o combate à violência nas escolas exige uma abordagem estratégica e coordenada. Ela apresentou três pilares fundamentais da gestão de crises em ambiente escolar: reconhecer, intervir com acolhimento e responder rapidamente.

Segundo Ana Flávia, é preciso identificar sinais precoces de risco — inclusive os que se manifestam fora da escola —, garantir canais de escuta e comunicação acessíveis, além de treinar regularmente equipes escolares para agir em situações de emergência. A especialista defendeu ainda o uso obrigatório de aplicativos de alerta em massa para situações de risco.

Prevenção é responsabilidade compartilhada

O agente da Polícia Federal Igor Cavalcante, do Grupo de Pronta Intervenção (GPI), destacou que eventos de violência em escolas costumam ser planejados com antecedência, o que exige atuação preventiva e envolvimento da comunidade escolar. Ele defendeu regras claras e planos de ação integrados às forças de segurança.

A fundadora da Associação Brasileira de Resposta à Violência Escolar, Fernanda Barros, cuja mãe foi vítima fatal de um ataque em escola na zona oeste de São Paulo, alertou para a omissão estrutural que permite a repetição desses episódios. Segundo ela, o agressor do caso de sua mãe havia feito ameaças por dois anos antes do ataque, mas os sinais foram ignorados.

Treinamento e protocolos salvam vidas

O gerente sênior de Segurança da Avenues The World School, Rodrigo Zuh, criador do “Protocolo Vida”, defendeu que a segurança nas escolas vai além de equipamentos: “Não são câmeras ou sirenes que salvam vidas, mas pessoas preparadas para agir”. Ele elogiou o PL 5.671/2023 por reconhecer a importância de medidas estruturadas e destacou a necessidade de protocolos bem definidos.

O capitão da Polícia Militar de São Paulo, Guilherme Boldrini, defendeu a criação de protocolos específicos para atuação das forças policiais em ambientes escolares e destacou que o massacre de Columbine, nos EUA, serviu como ponto de inflexão global para mudanças nas abordagens táticas.

Exemplos de boas práticas e sugestões ao PL

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, Roberto Lúcio Corrêa Bueno, compartilhou a experiência do município de Blumenau, que há mais de dez anos realiza treinamentos regulares de evacuação escolar. Ele defendeu que o PL 5.671/2023 incorpore diretrizes técnicas mais detalhadas, planos de segurança adequados à realidade de cada escola e o combate às ameaças digitais, muitas vezes usadas na fase de planejamento de ataques.

Próximos passos

O projeto de lei segue em tramitação no Senado. A expectativa é que, com as contribuições recebidas na audiência, o texto receba ajustes técnicos e avance nas comissões temáticas. O relator, Efraim Filho, reforçou que o objetivo é garantir que as escolas brasileiras voltem a ser ambientes seguros para alunos, professores e toda a comunidade escolar.

(Com informações da Agência Senado)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo