Ex-executivo do Banco Genial e empresários são alvos de buscas em investigação sobre lavagem de dinheiro

Data:

esquema de corrupção
Créditos: Kritchanut | iStock

A terceira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal. A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas à aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A operação conta ainda com a participação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), da Secretaria da Fazenda de São Paulo e das polícias Civil e Militar. Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.

A nova etapa, denominada Operação Crédito Oculto, busca aprofundar as investigações sobre a estrutura financeira e societária utilizada, segundo o GAECO, para viabilizar a aquisição da distribuidora e ocultar a identidade dos seus reais controladores. A apuração aponta para a utilização de fundos de investimento, empresas e outras estruturas financeiras.

Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, seus irmãos André e Bruno Tupinambá, além do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, da Entre Investimentos. Freixo também é citado em investigações relacionadas ao Banco Master e firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República nesse contexto.

De acordo com o GAECO, Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”, são apontados pela investigação como integrantes centrais da organização investigada. Os dois, entretanto, não estão entre os alvos dos mandados cumpridos nesta fase.

Estrutura financeira investigada

A investigação sustenta que a aquisição da Terrana teria sido realizada por meio de uma estrutura financeira e societária complexa. Entre as estruturas analisadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., constituídas meses antes da aquisição da distribuidora, segundo informações divulgadas sobre a investigação.

O GAECO aponta que mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas e contas utilizadas como intermediárias nas operações investigadas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores estão entre os elementos utilizados para fundamentar as suspeitas.

Segundo os investigadores, pessoas interpostas e estruturas societárias teriam sido utilizadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelo controle dos ativos e da distribuidora. A apuração também analisa a movimentação de recursos por diferentes empresas antes da conclusão da aquisição da Terrana.

A investigação ainda está em andamento, e os fatos apurados pelas autoridades constituem suspeitas que deverão ser submetidas à análise judicial. Os investigados e as empresas citadas têm direito à defesa e à presunção de inocência.

(Com informações do G1 por Por Bruno Tavares, Isabela Leite)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo