Farmácia é condenada a indenizar balconista vítima de três assaltos

Data:

Farmácias Populares / Drogarias / Farmácia / Rede de farmácias / Rede de Drogarias
Imagem meramente ilustrativa – Créditos: MJ_Prototype / iStock

A Cia. Latino Americana de Medicamentos, localizada em Florianópolis (SC), foi condenada a pagar R$ 20 mil de indenização a uma balconista que sofreu três assaltos durante o expediente. A decisão é da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que entendeu que a atividade exercida pela trabalhadora é considerada de risco, não sendo necessária a comprovação de culpa da empresa para a responsabilização.

Trabalhadora desenvolveu crise de pânico

Na ação, a balconista relatou que a farmácia foi alvo de três assaltos à mão armada. Em um deles, chegou a ter uma arma apontada para a cabeça. Após o episódio, foi diagnosticada com crise de pânico e passou a fazer uso de medicamentos para controlar a ansiedade. Ela atribuiu os assaltos ao fato de o estabelecimento ser o único da região a funcionar até as 19h.

Empresa alegou falta de segurança pública

A farmácia, em sua defesa, afirmou que também era vítima da violência urbana e que os assaltos eram praticados por terceiros, fora de seu controle. Por isso, não poderia ser responsabilizada pelos danos sofridos pela funcionária.

Medidas de segurança foram consideradas insuficientes

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) entendeu que o horário de funcionamento não justificaria a responsabilização da empresa. Destacou ainda que a farmácia havia adotado algumas medidas de segurança, como a instalação de câmeras de vigilância. Ressaltou, porém, que, diferente de bancos, não há como restringir o acesso de pessoas ao local.

TST reconhece risco da atividade

No entanto, o ministro Hugo Carlos Scheuermann, relator do recurso no TST, considerou que o atendimento ao público em farmácias, especialmente em horários mais vulneráveis, configura atividade de risco. Ele citou que farmácias, postos de combustíveis e casas lotéricas são alvos frequentes de assaltos devido ao alto fluxo de dinheiro.

Scheuermann destacou que o fato de a farmácia ser a única da região aberta até as 19h “certamente atrai criminosos e expõe os trabalhadores a risco acima do normal”. Em seu voto, mencionou uma reportagem do Conselho Federal de Farmácia sobre o aumento da criminalidade nesse setor, especialmente em função dos medicamentos de alto valor.

O relator concluiu que as medidas de segurança adotadas não foram eficazes, já que dois novos assaltos ocorreram após a instalação das câmeras. Assim, reconheceu a negligência da empresa quanto à segurança no ambiente de trabalho.

Processo: RR-0000887-15.2022.5.12.0014

(Com informações do TST – Por Ricardo Reis/CF)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo