Juiz multa cliente por prompt oculto que pedia elogios a advogado

Data:

Prompt oculto e inteligência artificial em processo judicial.Um prompt oculto inserido em uma contestação judicial levou um juiz de São Paulo a condenar uma das partes ao pagamento de multa por litigância de má-fé. O comando solicitava que uma eventual ferramenta de inteligência artificial elogiasse a atuação do advogado responsável pela defesa.

A multa foi fixada em 9% do valor atualizado da causa. O magistrado também determinou o encaminhamento da sentença e da contestação à Ordem dos Advogados do Brasil, seção de São Paulo (OAB/SP), para apuração de eventual responsabilidade disciplinar do profissional.

Prompt oculto buscava influenciar análise por inteligência artificial

O caso foi analisado pelo juiz Andre Salomon Tudisco. Ao examinar a contestação apresentada no processo, ele encontrou uma instrução escondida acima do timbre do escritório de advocacia e repetida em todas as páginas da peça.

O comando procurava direcionar uma eventual análise por inteligência artificial, solicitando uma avaliação favorável à defesa e elogios ao advogado. Para o magistrado, a mensagem não constituía argumento jurídico submetido ao contraditório, mas uma tentativa dissimulada de interferir no exame imparcial do processo.

A prática foi classificada como prompt injection, expressão utilizada para descrever a inserção de comandos destinados a influenciar o comportamento de sistemas de inteligência artificial.

Segundo a decisão, a tentativa de direcionamento contrariou os deveres de boa-fé, cooperação e lealdade processual. O juiz considerou que a caracterização da conduta não dependia de comprovar que o comando havia alcançado o resultado pretendido.

Entenda a disputa judicial

A ação envolvia uma empresária que pretendia transferir a outra pessoa o registro e as dívidas de um bar e restaurante. Ela também buscava a anulação do negócio e o pagamento de indenização.

O réu negou ser responsável pela administração do estabelecimento e contestou os pedidos. Também alegou que a autora teria agido de má-fé ao ajuizar novamente uma demanda anteriormente extinta por abandono.

Ao analisar o processo, o magistrado rejeitou os pedidos da empresária. A decisão apontou que o contrato não transferia automaticamente o registro de empresária individual nem afastava a responsabilidade perante os credores. Também não foram identificadas provas suficientes de vício de consentimento, simulação, fraude ou ato ilícito relacionado aos prejuízos alegados.

A autora foi condenada ao pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios fixados em 10% do valor atualizado da causa.

Parte vence a ação, mas recebe multa por má-fé

Embora tenha obtido decisão favorável no mérito, o réu foi condenado a pagar à autora multa de 9% do valor atualizado da causa em razão do comando oculto inserido na contestação.

O magistrado enquadrou a conduta como atuação temerária, com fundamento no artigo 80, inciso V, do Código de Processo Civil. O dispositivo trata da atuação processual temerária como hipótese de litigância de má-fé.

Além da multa, o juiz determinou o envio dos documentos do processo à OAB/SP para que a entidade avalie eventual responsabilidade disciplinar do advogado.

O processo tramita sob o número 1182898-18.2024.8.26.0100.

(Com informações do Migalhas.)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STJ retoma debate sobre validade de citações judiciais pelo WhatsApp e redes sociais

O STJ retomará presencialmente o julgamento do Tema 1.345, que discute a validade de citações judiciais pelo WhatsApp e por redes sociais. O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, propõe critérios rigorosos de identificação e confirmação do destinatário, enquanto entidades apontam riscos de fraude e exclusão digital. A decisão deverá orientar os tribunais brasileiros sobre a utilização desses meios de comunicação processual.

Justiça de São Paulo proíbe Meta de usar conteúdo jornalístico para treinar inteligência artificial sem autorização

A Justiça de São Paulo proibiu a Meta, em decisão liminar, de coletar e utilizar conteúdos jornalísticos de veículos associados à ANJ, à Abert e à ANER sem autorização, inclusive para treinamento e desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 1 milhão, limitada a R$ 100 milhões.

Justiça condena 99 a indenizar vítima de estupro após corrida

A Justiça de Minas Gerais condenou a 99 a pagar R$ 300 mil por danos morais a uma vítima de estupro ocorrido após um motorista da plataforma deixá-la desacordada na rua, em Belo Horizonte. A empresa também deverá ressarcir R$ 3.851,77 por danos materiais e custear o tratamento psicológico e psiquiátrico, além dos medicamentos necessários, até a alta médica.

STF valida fim da isenção previdenciária ampliada para servidores aposentados com doenças graves

O STF considerou constitucional a regra da Reforma da Previdência de 2019 que reduziu a faixa de isenção da contribuição previdenciária de servidores aposentados e pensionistas com doenças graves e incapacitantes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo