Juíza comunica OAB sobre possível infração ética por uso indevido de inteligência artificial em petição judicial

Data:

Inteligência Artificial advogados
Créditos: Phonlamai Photo | iStock

A juíza Bruna de Oliveira Farias, da Comarca de Planaltina de Goiás, determinou a expedição de ofício à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Distrito Federal (OAB-DF) para apuração de possível infração ética cometida por advogado que teria utilizado inteligência artificial (IA) na elaboração de petição judicial, sem a devida revisão técnica e adaptação ao caso concreto.

No ofício, assinado em 23 de janeiro de 2026, a magistrada apontou que o documento protocolado nos autos apresentava indícios inequívocos de geração automatizada, destacando que o profissional “não alterou sequer a formatação gerada por IA”. Entre os elementos identificados, consta a abertura da petição com a expressão “claro, dr(a). O caso apresentado trata de uma situação clássica…”, linguagem que, segundo a juíza, é típica de respostas fornecidas por assistentes virtuais e incompatível com a técnica exigida em peças processuais.

A magistrada também observou a presença de trechos com tom excessivamente didático e explicativo, tais como “abaixo, apresento a estrutura completa” e “esta ação é o instrumento jurídico”, os quais, em seu entendimento, são próprios de material acadêmico ou instrucional, e não de manifestações dirigidas ao Poder Judiciário.

Outro ponto ressaltado foi a identificação incorreta do cliente. Em vez de mencionar o nome real da parte, a petição fazia referência a “Raimundo”, o que, para a juíza, evidencia que a ferramenta de IA teria sido alimentada com um caso hipotético e que houve tentativa inadequada de adaptação ao processo concreto, sem a necessária revisão humana.

Além disso, o documento continha marcação típica de sistemas automatizados, como títulos precedidos por “##” e “###”, uso de asteriscos e campos não preenchidos ao final da peça, com expressões como “[LOCAL]”, “[DATA]”, “[NOME DO ADVOGADO]” e “OAB/[UF] nº [NÚMERO]”.

Comunicação à OAB

Diante das irregularidades, a juíza concluiu que a petição apresentava vícios formais graves, contradições insanáveis quanto à identificação das partes e indícios de que não foi adequadamente elaborada por profissional habilitado, nos termos exigidos pelo exercício da advocacia.

A magistrada reconheceu possível violação aos deveres éticos e processuais, determinou que o advogado apresente nova petição no prazo de 15 dias, sanando as falhas apontadas, e ordenou o encaminhamento de ofício à OAB-DF, para adoção das providências disciplinares que entender cabíveis.

Procurada, a OAB-DF informou que, até o momento, não se manifestou sobre o caso.

(Com informações do Metrópoles)

 

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo