TJMG mantém condenação de médico e hospital por falha no atendimento a paciente vítima de picada de cobra e majora indenização

Data:

Soro Fisiológico
Créditos: CIPhotos / iStock

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação de médico e hospital por falha na prestação de atendimento a paciente vítima de picada de cobra cascavel e majorou o valor da indenização por danos morais devida à família. A decisão foi proferida pelo 2º Núcleo de Justiça 4.0 – Cível Privado (2º Nucip 4.0), que reformou parcialmente sentença da Comarca de Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, elevando a indenização de R$ 15 mil para R$ 24.666,66.

Conforme os autos, o lavrador sofreu acidente ofídico em 2013, enquanto trabalhava na zona rural, passando a apresentar dormência em uma das pernas. No primeiro atendimento hospitalar, contudo, não lhe foi administrado o soro antiofídico indicado para o caso, tendo o médico limitado a conduta clínica à prescrição de analgésicos, sob o fundamento de que o paciente apresentava apenas arranhões.

Horas depois, diante da piora do quadro clínico, o paciente retornou à unidade de saúde, ocasião em que recebeu dose considerada insuficiente de soro antiofídico. Em razão do agravamento do estado de saúde, houve necessidade de transferência para outro hospital, com posterior internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além do afastamento de suas atividades laborais.

A vítima veio a óbito seis anos após o episódio, em decorrência de acidente de trânsito, com diagnóstico de choque cardiogênico e tromboembolismo pulmonar. A defesa da família sustentou que a falha no atendimento médico inicial ocasionou sequelas duradouras, culminando na falência de órgãos, circunstância que fundamentou o pedido indenizatório.

Em sede recursal, o médico e o hospital pleitearam a reforma da sentença, alegando inexistência de sintomas típicos de picada de animal peçonhento no primeiro atendimento e defendendo que a administração de soro antiofídico exige certeza diagnóstica. Argumentaram ainda a ausência de nexo causal, ao fundamento de que o paciente era hipertenso e que os danos não decorreram da conduta médica, mas do próprio acidente com a cobra.

O colegiado, contudo, rejeitou as teses defensivas e manteve, por unanimidade, o reconhecimento da responsabilidade civil dos réus. Para o órgão julgador, restou caracterizado erro médico, consubstanciado na ausência de administração do soro antiofídico no primeiro atendimento e na aplicação de dose insuficiente quando o paciente retornou à unidade hospitalar.

No tocante ao quantum indenizatório, o valor final de R$ 24.666,66 foi fixado pela média dos votos dos integrantes do colegiado. O relator, juiz de 2º grau Wauner Batista Ferreira Machado, e a desembargadora Régia Ferreira de Lima votaram pela manutenção da indenização em R$ 15 mil, enquanto os desembargadores Newton Teixeira Carvalho e Alberto Diniz defenderam a majoração para R$ 22 mil. O quarto vogal, desembargador Monteiro de Castro, manifestou-se pela elevação para R$ 30 mil, ao reconhecer a existência de “erro médico incontroverso”, destacando que as complicações decorrentes da picada não teriam evoluído caso o atendimento adequado tivesse sido prestado desde o primeiro momento.

O acórdão tramita sob o nº 1.0000.25.243551-6/001.

(Com informações do TJ-MG)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo