Juíza nega reconhecimento de vínculo empregatício para corretor de imóveis

Data:

leilão de imóveis - juristasA juíza Cintia Edler Bitencourt, da 1ª Vara do Trabalho de Gravataí (RS), recusou o pedido de reconhecimento de vínculo empregatício para um corretor de imóveis, baseando-se na argumentação de que um profissional autônomo, adulto, capaz e alfabetizado, que usufruiu das condições desse tipo de contratação por um período específico, não pode solicitar o reconhecimento de vínculo empregatício nos moldes da CLT. A decisão destaca que admitir essa possibilidade seria incentivar a deslealdade e menosprezar a boa-fé que deve guiar todas as relações jurídicas.

O corretor de imóveis, autor da ação, havia firmado contrato de prestação de serviços autônomos com uma construtora e incorporadora de imóveis. Após o término da relação com a empresa, ele recorreu à Justiça buscando o reconhecimento do vínculo de emprego.

Em audiência, o profissional confirmou estar ciente da natureza autônoma de suas atividades e reconheceu que só receberia comissões mediante a venda de imóveis.

Ao analisar o caso, a juíza explicou que há diversas razões, de natureza econômica ou pessoal, que levam os trabalhadores a optarem por contratos fora dos padrões estabelecidos pela CLT. Destacou que ao escolher esse tipo de relação profissional, o trabalhador está consciente das vantagens e desvantagens, aceitando por considerá-la mais conveniente naquele momento.

stj
Créditos: smolaw11 / iStock

A magistrada ressaltou que, enquanto a prestação de serviço na condição de trabalhador autônomo beneficiou o corretor, este executou o trabalho conforme o acordado, demonstrando plena aceitação de sua condição. Diante disso, concluiu que, ao buscar a tutela do Direito do Trabalho após usufruir das benesses da condição de autônomo, o reclamante tentava agregar a proteção do contrato de trabalho subordinado regido pela CLT às vantagens financeiras obtidas com o trabalho autônomo, uma situação que não poderia ser aceita.

Diante disso, a juíza decidiu que a interpretação das declarações de vontade deve prevalecer com base no princípio da boa-fé objetiva, negando, assim, o pedido de reconhecimento de vínculo.

Com informações do ConJur.


Você sabia que o Portal Juristas está no FacebookTwitterInstagramTelegramWhatsAppGoogle News e Linkedin? Siga-nos!

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo