Jurista que participou da criação da Lei Maria da Penha critica perdão judicial concedido à mãe de Henry Borel

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Créditos: Vladimir Cetinski | iStock

A jurista Silvia Pimentel, uma das especialistas que contribuíram para a formulação da Lei Maria da Penha, criticou a decisão da Justiça que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, em processo relacionado à sua responsabilização por homicídio culposo.

Em entrevista à BBC News Brasil, a professora afirmou que a medida não encontra respaldo jurídico adequado e classificou a decisão como equivocada. Segundo ela, o perdão judicial concedido no caso representou uma interpretação excessivamente benevolente por parte da magistrada responsável pelo julgamento.

Para Silvia Pimentel, a fundamentação baseada em questões de gênero para justificar a dispensa da pena não está alinhada aos princípios defendidos pelo movimento feminista. Na avaliação da jurista, a busca por igualdade entre homens e mulheres no sistema de Justiça não deve resultar em tratamentos privilegiados, mas sim em decisões pautadas pela equidade e pela aplicação uniforme da lei.

A especialista argumenta que o reconhecimento das desigualdades de gênero tem como objetivo assegurar proteção e acesso efetivo à Justiça, sem que isso implique flexibilização indevida da responsabilização penal quando houver fundamento legal para a condenação.

A decisão que beneficiou Monique Medeiros gerou repercussão e debate entre juristas e especialistas em Direito, especialmente em razão da grande comoção social provocada pelo caso Henry Borel. O entendimento adotado pela magistrada ainda divide opiniões sobre os limites da aplicação do perdão judicial e sobre a utilização de argumentos relacionados à perspectiva de gênero em processos criminais.

O caso reacende discussões sobre a interpretação das normas penais, a proteção dos direitos das mulheres e a necessidade de equilíbrio entre sensibilidade social e segurança jurídica nas decisões judiciais.

(Com informações do UOL)

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