Justiça condena empresários por fraude que prejudicou tratamento de menina com câncer

Data:

câncer
Créditos: Pkanchana | iStock

A Justiça condenou dois empresários pelo crime de estelionato no caso do desvio de cerca de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de câncer da menina Yasmin, hoje com 12 anos, moradora de Cascavel, no oeste do Paraná. Na sentença, a juíza responsável pelo caso destacou que a fraude prolongou o sofrimento da criança por aproximadamente três meses, além de ter atrasado de forma significativa o início do tratamento adequado.

Na decisão, a magistrada afirmou que a não entrega do medicamento retirou da paciente a oportunidade de acesso a um tratamento menos invasivo e mais compatível com seu quadro clínico, circunstância considerada especialmente grave. Esse fator foi valorado como agravante na dosimetria da pena aplicada aos réus.

Foram condenados Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux, apontados como responsáveis pela compra e importação da medicação. As penas impostas totalizam quatro anos, nove meses e cinco dias de reclusão, a serem cumpridas em regime inicial fechado. Ambos estão presos desde agosto do ano passado. Um terceiro denunciado no processo foi absolvido por insuficiência de provas.

Desvio de recursos e atraso no tratamento

Em 2024, a Justiça determinou que o Governo do Paraná custeasse a aquisição do medicamento Danyelza, que deveria ser importado para o tratamento de Yasmin, diagnosticada com neuroblastoma, um tipo agressivo de câncer infantil. O valor foi liberado, porém a empresa contratada para a importação não entregou o medicamento conforme previsto.

Segundo a sentença, os empresários utilizaram a credibilidade de suas empresas para conquistar a confiança dos envolvidos e se valeram da estrutura administrativa pública para obter vantagem indevida. Ainda de acordo com a decisão, os réus continuaram repassando informações falsas sobre o andamento da importação, mantendo a família da criança e os demais responsáveis em erro.

Para a magistrada, essa conduta prolongou a angústia, a expectativa e o sofrimento emocional de todos os que aguardavam o início do tratamento, ampliando de forma significativa as consequências do crime.

Agravamento do quadro clínico

Com o atraso na entrega do medicamento, Yasmin precisou continuar sendo submetida a sessões de quimioterapia. A sentença ressalta que, sem a medicação indicada, a progressão da doença é considerada fatal, o que resultou no prolongamento do sofrimento físico e psicológico da criança entre os meses de abril e julho de 2024.

Em depoimento citado no processo, a mãe relatou que, à época, Yasmin — então com 10 anos — já não conseguia andar e necessitava de morfina administrada de hora em hora para controle da dor. A criança também apresentou intenso abalo emocional, o que demandou acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além do uso de medicamentos para dormir e conter a ansiedade. Segundo a sentença, esse quadro não foi revertido, mesmo após o início da imunoterapia.

Repercussão e situação atual

O assistente de acusação, Allan Lincoln, afirmou que, embora a condenação por estelionato seja relevante, a decisão ainda pode ser revista. “Apesar de a sentença ser importante ao condenar os réus por estelionato, entendemos que ela pode ser reformada para incluir crimes mais graves, diante da dimensão do caso”, declarou.

Enquanto a Justiça tenta recuperar os valores desviados, o Governo do Paraná autorizou uma nova compra emergencial do medicamento. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024, sem resposta significativa. Em 2025, iniciou a segunda etapa, mas não conseguiu concluir o protocolo. A doença avançou e, atualmente, a adolescente encontra-se debilitada, com dificuldades para caminhar e em cuidados paliativos.

Segundo relato recente da mãe, Yasmin enfrenta dores intensas e precisou ser internada no Hospital do Câncer de Cascavel. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou: “Hoje conversei com as médicas e infelizmente não tem mais o que fazer por ela, somente controlar a dor.”

Defesa

A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que irá recorrer da sentença e sustenta que ele não participou de qualquer prática criminosa. A defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou até a última atualização da reportagem.

(Com informações do G1 por Adriana Calicchio, Giovan Valiati, g1 PR e RPC Cascavel)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo