Justiça condena ex-diretora a devolver mais de R$ 5 milhões desviados de empresa varejista

Data:

Multa por abandono de causa
Créditos: Rmcarvalho / iStock

A 3ª Vara do Trabalho de Passo Fundo (RS) condenou uma ex-diretora financeira e contadora de uma empresa do setor varejista a ressarcir mais de R$ 5,3 milhões desviados ao longo de aproximadamente dez anos. A sentença, proferida pelo juiz Evandro Luis Urnau, também determinou a perda definitiva de imóveis adquiridos com recursos ilícitos e a manutenção do bloqueio de bens dos envolvidos.

O esquema veio à tona após a realização de uma auditoria interna, que identificou a inserção de dados falsos no sistema da empresa, o cadastramento de notas fiscais inexistentes e a realização de transferências bancárias sem respaldo documental. De acordo com o processo, a ex-diretora se valia do cargo de confiança para direcionar valores a familiares e empresas terceiras.

Fraude sistêmica

As investigações apontaram que a fraude consistia no lançamento de notas fiscais fictícias, o que gerava automaticamente a liberação de pagamentos para contas de terceiros. A auditoria também constatou o uso indevido de credenciais de outros funcionários, inclusive durante períodos de férias, para operar clandestinamente o sistema financeiro da empresa.

O magistrado rejeitou os argumentos da defesa, que sustentava que os valores desviados corresponderiam a supostos “pagamentos extraoficiais” autorizados pela administração. Para o juiz, o conjunto probatório demonstrou de forma inequívoca a existência de uma fraude contábil e sistêmica cuidadosamente articulada.

Penalidades

Entre as sanções impostas, a ex-diretora foi condenada a devolver R$ 5.339.191,60 à empresa lesada. Os imóveis adquiridos com recursos provenientes do esquema deverão ser transferidos à varejista, e familiares e empresas beneficiadas pelos repasses também foram responsabilizados solidariamente pelo ressarcimento.

Além das consequências na esfera trabalhista, os envolvidos foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de furto e lavagem de dinheiro. A decisão ainda é passível de recurso.

(Com informações do JuriNews)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Waze suspende alertas de segurança no Brasil após uso político durante eleições

O Waze suspendeu temporariamente no Brasil a função de alertas relacionados à segurança pública após identificar registros falsos utilizados para ironizar campanhas eleitorais. O caso evidencia os desafios das plataformas digitais para combater o uso indevido de recursos colaborativos e evitar a disseminação de informações enganosas durante períodos eleitorais.

STF inicia julgamento sobre acesso a dados de usuários da internet sem decisão judicial

O STF iniciou julgamento para definir se provedores de internet podem fornecer dados de conexão e registros de usuários diretamente às autoridades ou se é indispensável uma decisão judicial prévia. O relator, ministro Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da exigência prevista no Marco Civil da Internet. O julgamento foi suspenso e ainda não há data para sua retomada.

TRF-4 determina perda do cargo de juiz acusado de furtar champanhes em supermercado

O TRF-4 determinou a perda do cargo de um juiz federal acusado de furtar duas garrafas de champanhe de um supermercado em Santa Catarina. A decisão também prevê sua disponibilidade sem remuneração, mas ainda será analisada pelo CNJ, que poderá reexaminar a medida no âmbito administrativo.

Big techs ampliam identificação de conteúdos gerados por IA

Grandes empresas de tecnologia estão ampliando ferramentas para identificar e sinalizar conteúdos produzidos por inteligência artificial. A movimentação ocorre diante da pressão regulatória, especialmente na União Europeia, e de preocupações com conteúdos de baixa qualidade, desinformação, riscos jurídicos e impactos na experiência dos usuários. Especialistas avaliam que a disputa entre ferramentas de geração e sistemas de detecção de IA deve continuar à medida que os modelos se tornam mais sofisticados.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo