TJMT reconhece união homoafetiva e mantém companheiro como administrador de herança

Data:

TJMT reconhece união homoafetiva e mantém companheiro como administrador de herança | Juristas
herança

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou que as uniões homoafetivas possuem os mesmos direitos assegurados aos casais heterossexuais. Em decisão unânime, a Quinta Câmara de Direito Privado manteve a nomeação do companheiro sobrevivente como inventariante dos bens deixados pelo parceiro falecido.

O colegiado analisou recurso que buscava afastar o companheiro da administração do patrimônio, sob o argumento de inexistência de união estável e de que ele seria “pessoa estranha” à sucessão.

Entenda o caso

Após o falecimento, os pais do homem ingressaram com recurso contra a decisão que havia designado o companheiro como inventariante. Além de questionarem a existência da união estável, os familiares chegaram a realizar inventário extrajudicial em cartório, sem comunicar a existência do companheiro sobrevivente.

Provas confirmaram a união estável

Ao relatar o caso, o desembargador Luiz Octavio Oliveira Saboia Ribeiro ressaltou que os autos continham conjunto robusto de provas capazes de comprovar a união estável homoafetiva.

Entre os elementos analisados pelo tribunal estavam:

  • Seguro de vida no qual o falecido indicava o parceiro como beneficiário, qualificando-o como companheiro;
  • Aquisição conjunta de bens, com contratos de compra e venda de imóveis e cessão de direitos de uma lanchonete em nome de ambos;
  • Comprovação de convivência, por meio de documentos e testemunhas que demonstraram que o casal residia no mesmo endereço.

Com base nesses elementos, o TJMT reconheceu que a relação era pública, contínua e duradoura, preenchendo os requisitos legais para a caracterização da união estável.

Fundamentação legal

A decisão teve como base o artigo 617, inciso I, do Código de Processo Civil, que assegura prioridade ao cônjuge ou companheiro sobrevivente para a nomeação como inventariante. O tribunal destacou ainda que não é necessária decisão judicial prévia reconhecendo a união estável para a nomeação, desde que a relação esteja devidamente comprovada nos autos.

O colegiado esclareceu que o companheiro permanecerá responsável pela administração dos bens, mas não poderá alienar ou transferir patrimônio sem autorização judicial.

Igualdade de direitos

O TJMT ressaltou que o entendimento adotado está em consonância com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que asseguram às uniões homoafetivas os mesmos direitos e deveres atribuídos às uniões heteroafetivas.

A decisão integra o 25º Ementário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que reúne julgados de segundo grau.

(Com informações do TJMT por Vitória Maria Sena)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo