Justiça condena réu a 11 anos de reclusão por crimes de exploração sexual infantil praticados pela internet

Data:

acusado
Créditos: Andrey Popov | iStock

A Vara de Crimes contra Pessoas Hipervulneráveis da Capital condenou um contador de 64 anos de idade à pena de 11 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática dos crimes de armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil. A sentença foi proferida pela juíza Virgínia Gaudêncio de Novais.

A persecução penal teve início a partir de informações encaminhadas pela Homeland Security Investigations (HSI), agência de segurança dos Estados Unidos, no contexto da denominada “Operação Bad Vibes”, voltada à repressão de grupos criminosos que utilizavam o aplicativo Viber para a exploração sexual de crianças e adolescentes. O relatório técnico produzido pelas autoridades estrangeiras indicou a vinculação de um número de telefone brasileiro às atividades ilícitas, dando ensejo às investigações no Brasil.

No curso da apuração, constatou-se que, desde o ano de 2021, o réu mantinha em sua posse extenso acervo de conteúdo ilícito. Perícia técnica realizada nos dispositivos eletrônicos apreendidos em sua residência identificou mais de 50 mil fotografias e cerca de 16 mil vídeos contendo cenas de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes, armazenados em telefone celular e em disco rígido externo.

Além da conduta de armazenamento, restou comprovado que o acusado compartilhava ativamente o material por meio de grupos no aplicativo “Gem Space”, cujas denominações faziam referência explícita à prática de abuso sexual infantojuvenil.

Em sede de defesa, foram suscitadas alegações de insuficiência probatória e de possível incapacidade mental do acusado. Tais teses, contudo, foram rejeitadas pela magistrada, que ressaltou a robustez e a harmonia do conjunto probatório, composto por provas técnicas, documentais e testemunhais. A tentativa do réu de ocultar um aparelho celular durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão foi valorada como indicativo de plena consciência acerca da ilicitude das condutas praticadas.

O acusado foi condenado pela prática dos crimes previstos nos artigos 241-A (oferecer, transmitir ou compartilhar conteúdo de abuso sexual infantojuvenil) e 241-B (possuir ou armazenar) do Estatuto da Criança e do Adolescente. Na dosimetria da pena, a juíza considerou as circunstâncias judiciais desfavoráveis, notadamente o volume extraordinário de material apreendido e o compartilhamento reiterado em múltiplos grupos virtuais, fatores que ampliam o alcance da exploração e perpetuam o sofrimento das vítimas.

A sentença determinou, ainda, a perda dos equipamentos eletrônicos utilizados na prática dos crimes em favor da União, bem como a suspensão dos direitos políticos do condenado enquanto perdurarem os efeitos da condenação.

(Com informações do TJPB)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo