Justiça de Alagoas intima mulher morta para depor em processo que investiga sua morte

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Servidor Público
Créditos: lusia83 / iStock

A Justiça de Alagoas cometeu um equívoco ao intimar Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, morta em agosto de 2025, para prestar depoimento no processo que investiga as circunstâncias de sua própria morte. A notificação foi expedida em 11 de setembro de 2026, e o oficial de Justiça compareceu ao endereço indicado cinco dias depois para tentar localizá-la.

Cláudia deveria comparecer a uma audiência marcada para 14 de outubro. No entanto, o oficial devolveu o mandado à Justiça informando apenas que ela não morava no endereço indicado, sem registrar que a mulher havia falecido.

O advogado Napoleão Lima Júnior, assistente de acusação no processo, classificou o episódio como incomum. Segundo ele, a intimação não provocou prejuízo direto à investigação, mas a audiência acabou sendo adiada após solicitação da defesa da vítima, que alegou não ter sido intimada em tempo hábil.

Em nota, a 2ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Marechal Deodoro lamentou o ocorrido e informou que as providências necessárias para corrigir o erro e apurar as circunstâncias da falha já estavam sendo adotadas. O objetivo, segundo o órgão, é evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

A comissão de amigos que acompanha o caso também manifestou surpresa com a notificação e reafirmou o compromisso de buscar esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.

Cláudia era esteticista, tinha 41 anos e morreu em 9 de agosto de 2025, enquanto estava internada em uma clínica de reabilitação clandestina em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. Ela havia sido internada involuntariamente a pedido de uma tia, cerca de um ano e três meses antes de morrer.

De acordo com as investigações, a internação teria ocorrido de forma ilegal, sem autorização judicial e sem respaldo técnico adequado. A apuração também apontou que o responsável pela clínica deixou Cláudia em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município e saiu do local. A equipe médica constatou que ela já chegou sem vida, com estimativa de que a morte tivesse ocorrido aproximadamente quatro horas antes.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que a mulher sofreu agressões físicas e intoxicação por medicamentos.

O Ministério Público de Alagoas denunciou três pessoas, duas delas ligadas à clínica, por homicídio qualificado, sob a acusação de que o crime teria sido cometido de forma cruel e sem possibilidade de defesa da vítima. Os três denunciados e a tia de Cláudia também respondem por acusações de sequestro e cárcere privado.

A denúncia foi recebida em 31 de março pela juíza Fabíola Melo Feijão, e o processo está na fase de instrução, etapa em que são produzidas provas e ouvidas as pessoas envolvidas para esclarecer os fatos.

(Com informações do UOL por Carlos Madeiro)

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