
A Justiça de Portugal determinou a soltura do brasileiro Ygor Daniel Zago, de 45 anos, conhecido como “Hulk”, apontado pelas autoridades como um dos principais narcotraficantes ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele é acusado de atuar no envio de cocaína para a Europa e de integrar um esquema de fraude no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro no Brasil.
De acordo com a polícia portuguesa, a defesa de Hulk solicitou asilo político para o investigado. Entretanto, o prazo legal para a extradição terminou, impedindo que ele continuasse preso. Diante disso, o Tribunal de Relação de Lisboa determinou sua libertação.
Hulk estava detido desde 15 de novembro do ano passado, após ser capturado pela Polícia Judiciária de Portugal em um condomínio de luxo na cidade de Cascais. Na ocasião, o brasileiro era alvo de difusão vermelha da Interpol.
Além das acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas, Ygor Daniel Zago e a esposa também possuem mandados de prisão em aberto por associação criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. No Brasil, ele é investigado por suspeita de atuar como um dos líderes do PCC em um esquema de adulteração de combustíveis com metanol.
O investigado já havia sido condenado pela Justiça Federal brasileira a 29 anos de prisão por envolvimento no tráfico internacional de cocaína. Segundo as investigações, ele teria atuado ao lado de André Oliveira Macedo, conhecido como “André do Rap”, e também mantido ligação com a chamada máfia dos Bálcãs.
As investigações da Polícia Federal ganharam força em 2023, após a apreensão de 30 mil litros de metanol. A partir da operação, os agentes descobriram um esquema criminoso voltado à adulteração de combustíveis supostamente controlado pelo PCC.
Em setembro do ano passado, a Polícia Federal realizou uma megaoperação contra a facção criminosa e prendeu um empresário apontado como aliado de Hulk na Baixada Santista. Segundo a PF, o suspeito tentou fugir de lancha durante a ação.
As autoridades investigam um esquema bilionário de fraudes fiscais no setor de combustíveis, com prejuízos estimados em até R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais. A Receita Federal calcula que os envolvidos tenham movimentado cerca de R$ 52 bilhões para a organização criminosa.
Documentos da Polícia Federal apontam que Hulk mantinha ligação direta com empresários investigados no esquema. Conforme a apuração, o grupo planejava obter lucros mensais de aproximadamente R$ 1 milhão por meio das atividades ilícitas.
Outros investigados foram presos durante a operação, mas parte dos suspeitos segue foragida. Entre eles estão Mohamed Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, “João” ou “Jumbo”, apontado como peça central do esquema, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, considerado um dos líderes da organização.
A defesa de Hulk afirma que ele se mudou para Portugal em busca de uma nova vida e sustenta que o cliente é inocente das acusações de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e demais crimes investigados.
(Com informações do UOL por Josmar Jozino)
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