Justiça de São Paulo rejeita ação de Pablo Marçal contra Pedro Rousseff por suposta difamação em redes sociais

Data:

transpetro - Operação Lava Jato
Créditos: Michał Chodyra | iStock

A Justiça de São Paulo negou todos os pedidos feitos pelo empresário e influenciador Pablo Marçal em ação movida contra Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff. A decisão é da juíza Laura Mota Lima de Oliveira Baccin, da 1ª Vara Cível do Foro Regional do Jabaquara, que entendeu que as declarações de Rousseff nas redes sociais estavam protegidas pela liberdade de expressão e não configuraram ofensa à honra nem abuso de direito.

Marçal havia ingressado com a ação em junho de 2024, após Rousseff publicar vídeos o acusando de divulgar informações falsas sobre as enchentes no Rio Grande do Sul. O influenciador teria afirmado, sem provas, que autoridades impediam a passagem de caminhões com doações — fato posteriormente desmentido por órgãos oficiais. Em resposta, Rousseff chamou Marçal de “mentiroso” e mencionou que ele teria sido “condenado por roubar banco”.

Liberdade de expressão e debate político

Na ação, Marçal pedia indenização de R$ 100 mil, direito de resposta e a remoção das publicações, alegando que as falas ultrapassavam os limites da crítica política.

A juíza, entretanto, concluiu que Pedro Rousseff exerceu legitimamente seu direito de manifestação, ao comentar fatos de conhecimento público e amplamente noticiados pela imprensa.

“O conteúdo do vídeo não extrapola o que se verifica comumente no debate político, em que pré-candidatos trocam acusações e repercutem reportagens que geram discussão pública. Tais situações são esperadas nesse contexto e não produzem os mesmos efeitos jurídicos que ofensas pessoais em outros ambientes”, afirmou a magistrada na sentença.

Ausência de intenção difamatória

A juíza também destacou que não houve intenção de difamar (animus difamandi), mas apenas de reproduzir informações já veiculadas por meios jornalísticos. Observou ainda que Marçal não negou expressamente ter sido condenado anteriormente por furto e organização criminosa, fatos relatados por diversos veículos de comunicação.

Além disso, a decisão menciona que o próprio Marçal já adotou postura semelhante em outras ocasiões, ao fazer críticas públicas a terceiros.

Com esse entendimento, o juízo negou integralmente os pedidos de indenização, retratação e exclusão das postagens.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo