Justiça reconhece litigância de má-fé por uso de acórdãos falsificados

Data:

litigância de má-fé
Créditos: seb_ra | iStock

A 1ª Vara Cível da Comarca de Mauá condenou um advogado por litigância de má-fé após a apresentação de julgados falsos em uma ação movida por uma seguradora. A decisão determinou o pagamento de multa equivalente a 10% do valor da causa, quantia que será revertida em favor da autora do processo.

Além da penalidade financeira, o juiz determinou a expedição de ofício à Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo para ciência dos fatos e eventual adoção de medidas disciplinares.

De acordo com os autos, o advogado atuava na defesa da parte ré e apresentou, na contestação, dois supostos precedentes judiciais atribuídos a tribunais brasileiros para sustentar a tese de que atrasos na transferência de veículos adquiridos em leilão seriam justificáveis por questões de regularização técnica.

Contudo, ao analisar os documentos, o juiz Anderson Fabrício da Cruz constatou que os acórdãos citados não correspondiam aos conteúdos originais e haviam sido alterados para aparentar respaldo jurídico inexistente.

Segundo a sentença, um dos julgados tratava de tema completamente distinto e não fazia qualquer referência a prazos de transferência de veículos ou regularização técnica. Já o segundo precedente também teria sido modificado a partir de decisão relacionada a matéria diversa da discutida no processo.

Na decisão, o magistrado afirmou que a conduta se enquadra nas hipóteses previstas no artigo 80 do Código de Processo Civil, por alterar a verdade dos fatos e adotar procedimento manifestamente temerário com o objetivo de induzir o Judiciário ao erro.

O juiz destacou ainda que a responsabilidade pela conduta deve ser atribuída exclusivamente ao advogado, e não ao cliente, uma vez que a elaboração de peças processuais, seleção de precedentes e verificação da autenticidade das decisões dependem de conhecimento técnico jurídico.

A decisão ainda cabe recurso.

Processo nº 4002642-27.2025.8.26.0348

(Com informações do TJ-SP)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo