Político não pode ser cassado com base em apenas uma gravação

Data:

Houve divergências entre os ministros do TSE, alguns consideraram a prova suficiente

Político não pode ser cassado com base no conteúdo de apenas uma gravação. O entendimento, por maioria, é do Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte anulou a cassação do mandato do vereador José Ivaldo Barbosa, eleito em Iturama (MG).

registro do ex-presidente Lula
Créditos: Junial | iStock

Ele foi acusado de comprar votos durante a campanha de 2016. O político foi gravado em uma conversa prometendo considerar quitada uma dívida de um eleitor caso ele e sua família votassem a seu favor nas eleições.

A partir disso, a primeira instância e o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) decidiram pela cassação do vereador. Para as cortes regionais, o caso se insere no artigo 41-A da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97) que diz ser desnecessário o pedido explícito de votos, bastando a evidência da intenção.

O relator do recurso no TSE, ministro Admar Gonzaga, afirmou que a gravação foi feita sem conhecimento do vereador. Disse ainda que, apesar de o candidato ter reconhecido sua voz durante o depoimento na Justiça, ele negou que tenha oferecido vantagem em troca de votos.

Além disso, destacou que a jurisprudência do tribunal exige provas robustas para comprovar a compra de votos.

Divergências

Para o ministro Edson Fachin e a presidente da Corte, ministra Rosa Weber, a prova não poderia ser reavaliada pelo TSE por meio do recurso especial apresentado. Para eles, o áudio foi suficiente para comprovar a compra de votos.

A principal tese da divergência é a aplicação da Súmula-TSE 24. O dispositivo determina que “não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório”.

Respe 69233

Notícia produzida com informações do Tribunal Superior Eleitoral.

Saiba mais:

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Hysa Conrado
Hysa Conrado
É jornalista, formada pela Universidade São Judas. Tem experiência na cobertura do Poder Judiciário, com foco nas cortes estaduais e superiores. Trabalhou anteriormente no SBT e no portal Justificando/Carta Capital.

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo