Prisões e revelações: desdobramentos no caso Marielle Franco

Data:

Prisões e revelações: desdobramentos no caso Marielle Franco | Juristas
Obra do artista plástico Paulo Nazareth, em homenagem a Marielle Franco / Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil

No domingo passado, 24 de março, uma reviravolta no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, chocou o país. A Polícia Federal realizou a prisão do deputado federal Chiquinho Brazão (União-RJ), seu irmão Domingos Brazão (conselheiro do TCE-RJ) e Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil no Rio), sob a acusação de envolvimento no homicídio de Marielle e de obstruir as investigações. As prisões foram fundamentadas na delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, cujo relato foi analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Moraes, que é relator do caso, tomou uma decisão crucial: liberou o acesso à sua determinação que levou às prisões, e também derrubou o sigilo sobre as investigações do assassinato de Marielle e Anderson. O relatório final do caso possui mais de 400 páginas e revela detalhes perturbadores sobre o crime.

Na segunda-feira seguinte, a primeira turma do STF, de forma unânime, decidiu manter as prisões dos suspeitos. A votação, realizada virtualmente, seguiu a determinação de Moraes, com cinco dos onze ministros votando a favor da manutenção da prisão preventiva de Chiquinho Brazão, Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa.

Complicações para Braga Netto

Entretanto, o desenrolar do caso trouxe à tona complicações para o ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que não está entre os investigados, mas é citado duas vezes no inquérito. Braga Netto ocupava o cargo de interventor federal no Rio de Janeiro na época do crime e havia realizado mudanças na cúpula da segurança pública do estado, incluindo a promoção de Rivaldo Barbosa para chefiar a Polícia Civil do Rio.

Rivaldo Barbosa, à época da operação, estava sob suspeita de participar ativamente em atividades do crime organizado no Rio de Janeiro. Como titular da Delegacia de Homicídios da Capital, ele era suspeito de usar seu cargo para obter vantagens em disputas entre organizações criminosas. Apesar das suspeitas, sua nomeação foi mantida por Braga Netto, apesar de alertas da inteligência local.

O ex-ministro negou qualquer envolvimento direto na decisão, afirmando que a escolha do chefe da Polícia Civil estava sob responsabilidade de Richard Nunes, secretário de Segurança Pública à época. Braga Netto ressaltou que assinou o ato de nomeação de Rivaldo por questões burocráticas, sem mencionar a lista de nomes indicados pelo Comando Militar do Leste, que ele chefiava.

O inquérito concluído na semana passada, e apresentado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, não incrimina Braga Netto diretamente, mas levanta suspeitas sobre sua gestão e suas decisões durante a intervenção federal no Rio de Janeiro. Novas investigações contra Braga Netto não estão descartadas, dependendo da avaliação da PGR e da autorização do STF. O caso continua a causar reverberações tanto no âmbito judicial quanto político.

Com informações do Congresso em Foco.


Você sabia que o Portal Juristas está no Facebook, Twitter, Instagram, Telegram, WhatsApp, Google News e Linkedin? Siga-nos!

Notícias, modelos de petição e de documentos, artigos, colunas, entrevistas e muito mais: tenha tudo isso na palma da sua mão, entrando em nossa comunidade gratuita no WhatsApp.

Basta clicar aqui: https://bit.ly/zapjuristas

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Ricardo Krusty
Ricardo Krusty
Comunicador social com formação em jornalismo e radialismo, pós-graduado em cinema pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Revista Juristas amplia sua presença no cenário jurídico nacional e valoriza a produção intelectual brasileira

A Revista Juristas vem ampliando sua presença no cenário jurídico brasileiro ao promover a divulgação da produção intelectual de profissionais que contribuem para o desenvolvimento do Direito, o fortalecimento das instituições e o aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Com 11 edições publicadas até outubro de 2026, a revista reúne entrevistas, artigos e reflexões sobre temas que influenciam diretamente a sociedade brasileira.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo