Reconciliação de casal leva Justiça a revogar prisão por descumprimento de medida protetiva

Data:

tjsp
Créditos: Zolnierek | iStock

A reconciliação espontânea entre um casal pode afastar, em determinadas circunstâncias, a configuração do crime de descumprimento de medidas protetivas de urgência e retirar o fundamento para a manutenção da prisão preventiva. Esse foi o entendimento do juiz Renato de Almeida Mascarenhas, da 2ª Vara Criminal de São Vicente (SP), ao revogar a prisão preventiva de um homem que estava detido por descumprir uma ordem judicial.

As medidas protetivas de urgência haviam sido concedidas à mulher em dezembro de 2025. Meses depois, em junho de 2026, o homem foi preso em flagrante sob acusação de descumprir as restrições impostas e praticar o crime previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). Durante a vigência da medida, porém, o casal retomou o relacionamento e passou a conviver novamente. Diante da reconciliação, os dois solicitaram conjuntamente a revogação da prisão preventiva ou sua substituição por medidas cautelares alternativas.

O Ministério Público do Estado de São Paulo manifestou-se favoravelmente à soltura, considerando que a reconciliação poderia afastar, em tese, a tipicidade do crime de descumprimento da medida protetiva. Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que a retomada voluntária da convivência havia alterado a situação que originalmente justificara a imposição da restrição de contato.

Segundo o juiz, a nova realidade afastou a situação de urgência e o risco à integridade física ou psíquica da mulher que fundamentavam a medida protetiva e a prisão preventiva. Dessa forma, diante da manifestação consensual das partes, determinou a expedição do alvará de soltura.

Apesar de revogar a prisão, o magistrado estabeleceu medidas cautelares para garantir o acompanhamento do processo. O homem deverá comparecer a todos os atos processuais e não poderá se ausentar de sua comarca de residência por mais de oito dias sem autorização prévia da Justiça.

A decisão também advertiu que o descumprimento injustificado das medidas cautelares poderá resultar no restabelecimento da prisão preventiva. Da mesma forma, a prisão poderá ser novamente decretada caso surja uma situação que justifique a adoção da medida cautelar mais gravosa.

O acusado foi representado pelo advogado Bruno Hoshino de Moraes. A decisão, contudo, considera as circunstâncias específicas do caso e não significa que a reconciliação entre as partes elimine automaticamente a responsabilidade penal em toda hipótese de descumprimento de medida protetiva. A análise depende das particularidades de cada caso e do contexto em que ocorreu o suposto descumprimento.

Clique aqui para ler a decisão.

Inquérito Policial 1508836-86.2026.8.26.0385

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

STJ mantém multa de R$ 20 mil a advogados por tentativa de manipular ferramenta de inteligência artificial

O STJ manteve multa de R$ 20 mil aplicada a advogados após identificar comandos ocultos em uma peça processual que buscariam influenciar uma ferramenta de inteligência artificial. A Corte também determinou a preservação das evidências digitais e a comunicação dos fatos à OAB-PR e ao Ministério Público Federal.

Piauí usa inteligência artificial para registrar ocorrências policiais pelo WhatsApp

O Piauí utiliza o BO Fácil, uma ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp, para receber solicitações de boletins de ocorrência, denúncias anônimas e pedidos de atendimento emergencial. O sistema identifica relatos de maior gravidade e encaminha as informações às equipes policiais, enquanto o modelo Soberano 1 integra uma estratégia estadual de digitalização dos serviços públicos e proteção de dados.

TJDFT mantém restrição de horário para academia de condomínio após reclamação de morador

O TJDFT manteve a restrição de funcionamento da academia de um condomínio entre 22h e 8h após reclamação de um morador sobre ruídos e vibrações. A decisão considerou que a aprovação em assembleia não se sobrepõe aos direitos individuais ao sossego e à saúde e preservou a multa de R$ 1 mil por dia de descumprimento, limitada a R$ 10 mil.

Nova lei amplia limite de faturamento do MEI e prevê perdão de dívidas de empreendedores

: A nova lei amplia o limite de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, permite a contratação de até dois empregados e prevê o perdão de dívidas de empreendedores. Hugo Motta comemorou a medida e destacou sua importância para o fortalecimento dos pequenos negócios e da economia brasileira.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo