STF autoriza oitivas em inquérito sobre suposta interferência na PF

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Celso de Mello também retirou sigilo do depoimento de Sergio Moro

Ministro Celso de Mello
Créditos: Reprodução Youtube / Band Jornalismo

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem (5) as diligências requeridas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, no inquérito que apura suposta tentativa de interferência na Polícia Federal (PF).

Na mesma decisão, o ministro decidiu retirar o sigilo do depoimento prestado pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro à PF, no sábado (2). Ao deixar o governo, Sérgio Moro acusou o presidente Jair Bolsonaro de interferência na corporação.

No pedido encaminhado anteontem (4) ao relator, Augusto Aras pediu autorização para a tomada de depoimento de três ministros, seis delegados da Polícia Federal (PF), da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), além da realização de perícias. As medidas foram tomadas depois de Sérgio Moro prestar depoimento.

Até às 21h30 de ontem, mesmo com a decisão favorável à retirada do sigilo, a oitiva do ex-ministro não tinha sido anexada ao andamento processual eletrônico do STF. A defesa de Moro e a PGR concordaram com a retirada do sigilo. “Os estatutos do poder, em uma República fundada em bases democráticas, não podem privilegiar o mistério nem legitimar o culto ao sigilo: consequente necessidade de este Inquérito transcorrer sob a égide do postulado da publicidade”, decidiu Celso de Mello.

No pedido encaminhado ao relator, o procurador-geral da República ainda solicitou a cópia de uma reunião realizada no dia 22 de abril entre o presidente Bolsonaro, o vice-presidente, ministros e presidentes de bancos públicos, e os comprovantes das assinaturas de exoneração a pedido do ex-diretor da PF Maurício Valeixo.

Desde a exoneração de Sérgio Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

(Com informações de André Richter / Juliana Andrade / Agência Brasil)

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