STF conclui ajustes em tese sobre responsabilidade das plataformas digitais e fixa prazo para adequação

Data:

STF conclui ajustes em tese sobre responsabilidade das plataformas digitais e fixa prazo para adequação | Juristas

O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, nesta quarta-feira (17), o julgamento dos embargos de declaração que buscavam esclarecer pontos da tese de repercussão geral sobre a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos publicados por terceiros. Com a decisão, a Corte aperfeiçoou o entendimento firmado anteriormente e definiu novos parâmetros para a aplicação das regras.

Entre os principais ajustes, o STF estabeleceu que as plataformas terão prazo de 60 dias, contados a partir da conclusão do julgamento, para implementar medidas estruturais relacionadas ao chamado dever de cuidado. O conceito envolve a adoção de ações concretas destinadas a reduzir riscos de violações a direitos fundamentais no ambiente digital.

O Tribunal também reforçou que provedores de aplicações de internet poderão ser responsabilizados civilmente quando deixarem de adotar medidas adequadas para prevenir ou remover imediatamente conteúdos ilícitos relacionados a crimes graves, desde que fique caracterizada falha sistêmica em seus mecanismos de controle.

A tese contempla um rol taxativo de infrações consideradas especialmente graves, entre elas tentativa de golpe de Estado, terrorismo, racismo, homofobia, incitação à automutilação ou ao suicídio, além de crimes praticados contra mulheres, crianças e adolescentes.

Ao encerrar a análise dos recursos, o Plenário declarou o trânsito em julgado da decisão, encerrando a possibilidade de novos questionamentos processuais sobre o tema. Com isso, os parâmetros definidos pelo STF passam a ter aplicação imediata em todos os tribunais e instâncias do Poder Judiciário em casos semelhantes.

A Corte também buscou preservar a segurança jurídica ao esclarecer que a tese já produz efeitos desde a publicação da ata do julgamento de mérito dos recursos extraordinários relacionados ao Marco Civil da Internet, ocorrida em agosto de 2025. A exceção fica para situações envolvendo atos continuados ou permanentes, que passarão a ser analisadas conforme os critérios agora definitivamente consolidados, respeitadas as decisões já transitadas em julgado.

Entenda o caso

A tese foi originalmente fixada durante o julgamento dos Recursos Extraordinários 1.037.396 e 1.057.258, relatados pelos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux. Na ocasião, o STF definiu critérios para a responsabilização civil de plataformas digitais em situações envolvendo conteúdos ilícitos publicados por usuários, declarando a inconstitucionalidade parcial de dispositivos do Marco Civil da Internet.

Os ajustes concluídos nesta semana decorreram da análise de embargos de declaração apresentados por empresas de tecnologia, entre elas Facebook e Google, além de entidades que participaram do processo. Os recursos buscavam esclarecer pontos específicos da decisão e uniformizar sua aplicação prática.

Com a conclusão do julgamento, o entendimento passa a orientar de forma definitiva a atuação do Judiciário em controvérsias envolvendo responsabilidade de plataformas digitais e moderação de conteúdos na internet.

Leia a redação final da tese no Tema 987 da repercussão geral.

(Com informações do STF por Pedro Rocha)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo