STF restabelece norma do CFM sobre atendimento a adolescentes trans

Data:

unimed plano de saúde
Créditos: yavdat / iStock

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu liminar da Justiça Federal do Acre que havia invalidado a Resolução nº 2.427/2025 do Conselho Federal de Medicina (CFM), norma que disciplina o uso de terapias hormonais em crianças e adolescentes trans. A decisão foi proferida na Reclamação (Rcl) 84.653.

A resolução estabelece que a hormonioterapia para transição de gênero só pode ser iniciada a partir dos 18 anos, restringindo o uso de bloqueadores hormonais a situações clínicas específicas, como casos de puberdade precoce.

Discussão no STF

O tema já está em análise no Supremo por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7806, ajuizada por entidades que contestam a norma do CFM. O pedido sustenta que a resolução impõe barreiras indevidas ao tratamento médico de crianças e adolescentes trans, afrontando princípios constitucionais como dignidade da pessoa humana e identidade de gênero.

Reclamação do CFM

Na Justiça Federal do Acre, a resolução havia sido suspensa a pedido do Ministério Público Federal (MPF), sob alegação de vícios formais e materiais, como ausência de participação social no processo de elaboração, exigência de cadastro de pacientes e restrição de terapias reconhecidas internacionalmente. Para o CFM, a decisão de primeira instância configurou controle de constitucionalidade, competência exclusiva do STF.

Competência do Supremo

Ao analisar o caso, o ministro Flávio Dino entendeu que a decisão da Justiça Federal “fragmentou a jurisdição constitucional” e que compete exclusivamente ao STF avaliar a validade da resolução. Dessa forma, determinou a suspensão dos efeitos da decisão de primeiro grau até que a Corte se pronuncie definitivamente.

O magistrado também ordenou a notificação da 3ª Vara Federal do Acre para prestar informações, bem como a citação do MPF para eventual contestação. Os autos serão remetidos ao procurador-geral da República, e a medida cautelar será submetida ao referendo da Primeira Turma do STF.

(Com informações do STF)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo