STF retoma atividades com pauta de julgamentos de grande impacto e debate sobre Código de Ética

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Fux retira de pauta os processos sobre auxílio-moradia para juízes e é criticado pela OAB
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O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou suas atividades nesta segunda-feira (3), após o recesso forense de julho, com uma pauta que reúne temas de grande relevância jurídica, política e social. Além de julgamentos de repercussão nacional, a Corte deve acompanhar novos desdobramentos de investigações envolvendo o Banco Master, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a destinação de emendas parlamentares.

A sessão de reabertura foi conduzida pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que marcou o início do segundo semestre judiciário. Entre os primeiros processos em análise estão ações que discutem a restrição da isenção tributária para pessoas com deficiência (PCDs), a aplicação da Lei Maria da Penha a casos fora do contexto familiar ou de relacionamento afetivo e a extensão da vedação ao nepotismo para cargos de natureza política.

Julgamentos de grande repercussão

Ao longo de agosto, o Supremo deverá apreciar uma série de processos com potencial de produzir impactos relevantes em diferentes áreas do Direito.

Entre os temas previstos estão:

  • definição do modelo de escolha do governador em mandato-tampão no Estado do Rio de Janeiro;
  • exploração mineral em terras indígenas;
  • participação de capital estrangeiro em plataformas digitais;
  • constitucionalidade da proibição da exploração de jogos de azar;
  • controvérsias relacionadas à chamada moratória da soja;
  • validade de lei de Minas Gerais que restringe o fretamento de ônibus por aplicativos;
  • definição da natureza jurídica da relação entre motoristas de aplicativos e plataformas digitais, tema conhecido como “uberização”.

Também existe expectativa quanto ao julgamento das ações que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, norma que alterou critérios para a fixação das penas aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Outro tema aguardado é a análise das alterações promovidas na Lei da Ficha Limpa, especialmente quanto à nova forma de contagem do período de inelegibilidade dos candidatos.

Código de Ética para ministros

Além da pauta jurisdicional, o STF deverá avançar nas discussões sobre a elaboração de um Código de Ética aplicável aos ministros da Corte.

A proposta, relatada pela ministra Cármen Lúcia, busca estabelecer parâmetros de transparência e prevenção de conflitos de interesse, incluindo regras sobre participação em eventos públicos e privados e outras situações que possam comprometer a imparcialidade institucional.

Nos bastidores, entretanto, a iniciativa ainda enfrenta divergências entre integrantes do Tribunal, razão pela qual sua apreciação poderá ocorrer apenas após as eleições de outubro.

Reforma do Judiciário

Outra prioridade da gestão do ministro Edson Fachin é a conclusão da proposta de reforma do Poder Judiciário, elaborada por um grupo composto por juristas, magistrados e especialistas.

O projeto pretende modernizar o sistema de Justiça por meio da ampliação da transformação digital, da redução da morosidade processual, do enfrentamento ao excesso de recursos e da ampliação do acesso à Justiça em regiões menos atendidas. O texto também deverá abordar o uso da inteligência artificial na atividade jurisdicional e na gestão processual.

A proposta representa a primeira grande revisão estrutural do Judiciário desde a Emenda Constitucional nº 45, promulgada em 2004.

Inteligência artificial e eleições

Outro tema que poderá chegar ao STF ainda neste semestre envolve decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas às eleições de 2026.

Entre os assuntos que podem ser submetidos ao Supremo estão questões envolvendo desinformação eleitoral, utilização de inteligência artificial na propaganda política e os limites constitucionais da atuação da Justiça Eleitoral no combate à disseminação de conteúdos ilícitos durante o processo eleitoral.

Com uma pauta diversificada e de elevada repercussão institucional, o Supremo Tribunal Federal inicia o segundo semestre de 2026 diante de importantes debates sobre direitos fundamentais, organização do Estado, tecnologia, processo eleitoral e modernização do sistema de Justiça.

(Com informações do G1 por Márcio Falcão e Luiz Felipe Bariéri)

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