STF retoma julgamento sobre divisão dos royalties do petróleo entre estados e municípios

Data:

STJ nega pedido da Petrobras para ceder campos de petróleo sem licitação
lalabell68 / Pixabay

O Supremo Tribunal Federal retomou nesta quinta-feira (7) o julgamento das ações que discutem os critérios de distribuição dos royalties do petróleo entre União, estados e municípios. A sessão foi marcada pela apresentação do voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, seguida de pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que suspendeu temporariamente a análise do caso.

As ações questionam dispositivos da Lei 12.734/2012, conhecida como Lei dos Royalties, que alterou a divisão das receitas obtidas com a exploração de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, ampliando a participação de estados e municípios não produtores na repartição dos recursos.

As regras aprovadas pela lei estão suspensas desde 2013 por decisão liminar do próprio STF.

Ao apresentar seu voto, Cármen Lúcia entendeu que as mudanças promovidas pela legislação são inconstitucionais. Segundo a ministra, a norma extrapolou uma simples revisão de percentuais e acabou alterando o próprio modelo constitucional de compensação financeira previsto para os entes diretamente afetados pela exploração petrolífera.

Para a relatora, embora os recursos minerais pertençam à União, a Constituição Federal assegura tratamento diferenciado aos estados e municípios que sofrem impactos econômicos, ambientais e sociais decorrentes da atividade exploratória.

— A compensação financeira não está ligada apenas à exploração em si, mas aos impactos gerados por ela — destacou a ministra durante o julgamento.

Cármen Lúcia afirmou ainda que o Congresso Nacional possui competência para regulamentar a distribuição dos royalties, mas ressaltou que essa atuação deve respeitar os limites constitucionais e a jurisprudência consolidada do Supremo.

As ações em julgamento foram propostas pelos governos do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira dos Municípios com Terminais Marítimos, Fluviais e Terrestres de Embarque e Desembarque de Petróleo e Gás Natural (Abramt).

Em relação à ação apresentada pela Abramt, a relatora votou pelo não conhecimento do pedido, por entender que a entidade não possui legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade perante o STF.

O ministro Flávio Dino solicitou vista do processo para aprofundar a análise de pontos relacionados às alterações legislativas ocorridas nas últimas décadas e às possíveis consequências jurídicas da redistribuição dos royalties.

Com isso, o julgamento permanece suspenso até a devolução do processo ao plenário.

(Com informações do STF por Gustavo Aguiar)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo