STF torna ré enfermeira que ofendeu ministro Flávio Dino durante voo

Data:

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, receber a denúncia e tornar ré a enfermeira Maria Shirlei Piontkievicz, de 57 anos, por ofensas dirigidas ao ministro Flávio Dino. O episódio ocorreu em setembro de 2025, durante um voo entre São Luís e Brasília

STF torna ré enfermeira que ofendeu ministro Flávio Dino durante voo | Juristas
Créditos: Zolnierek | iStock

.

O acórdão, referente à decisão tomada em dezembro, foi publicado no Diário de Justiça Eletrônico (DJE) em 16 de janeiro. Com o recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o processo ingressa agora na fase de instrução, com a produção de provas e a oitiva de testemunhas.

Segundo a denúncia, a acusada teria hostilizado o ministro no momento do embarque, chamando-o de “lixo” e afirmando que o avião estaria “contaminado”. Relatos juntados aos autos indicam ainda que a enfermeira teria tentado avançar contra a equipe de segurança do ministro, com intenção de agredi-lo.

A PGR atribui à ré a prática dos crimes de injúria contra autoridade, incitação ao crime e atentado contra a segurança de transporte marítimo, fluvial ou aéreo.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, entendeu que as ofensas foram proferidas de forma “livre, consciente e voluntária”. O magistrado também justificou a competência do STF para julgar o processo, ao apontar conexão entre o episódio e investigações mais amplas relacionadas a ataques contra ministros da Corte e instituições democráticas.

O voto do relator foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma e alvo das ofensas, declarou-se impedido e não participou do julgamento.

A defesa de Maria Shirlei Piontkievicz questionou a tramitação da ação no Supremo, alegando ausência de prerrogativa de foro e inexistência de conexão com o inquérito das fake news. Os advogados também sustentaram falta de justa causa para a ação penal e afirmaram que as declarações não configurariam incitação ao crime nem risco concreto à segurança do voo.

Com o prosseguimento da ação penal, o STF irá decidir, ao final da instrução processual, se a ré será condenada ou absolvida. Ainda não há data definida para o julgamento final.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo