STJ define que desemprego involuntário pode ser comprovado por diferentes provas para prorrogar período de graça previdenciário

Data:

apropriação indébita previdenciária
Créditos: stevepb / Pixabay

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Tema 1.360 sob o rito dos recursos repetitivos, estabeleceu que o desemprego involuntário pode ser comprovado por diversos meios de prova para fins de prorrogação do chamado período de graça da Previdência Social. O Tribunal, contudo, esclareceu que a simples ausência de registro de emprego na Carteira de Trabalho (CTPS) ou no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) não é suficiente para comprovar essa condição.

Com a definição da tese, os processos que estavam suspensos aguardando o posicionamento da Corte poderão voltar a tramitar.

O período de graça, previsto no artigo 15 da Lei nº 8.213/1991, garante ao segurado a manutenção de sua qualidade perante a Previdência Social por determinado período, mesmo sem o recolhimento de contribuições. A legislação prevê a possibilidade de prorrogação desse prazo quando houver desemprego involuntário, mencionando como forma de comprovação o registro da situação no órgão competente do Ministério do Trabalho.

Relator do recurso repetitivo, o ministro Afrânio Vilela destacou que a finalidade do período de graça é assegurar proteção ao trabalhador que perdeu o emprego involuntariamente e, por isso, não possui condições de continuar contribuindo para o sistema previdenciário.

Segundo o ministro, exigir exclusivamente o registro no órgão do Ministério do Trabalho representaria um formalismo incompatível com a finalidade protetiva da norma, especialmente quando o desemprego puder ser demonstrado por outros meios de prova igualmente idôneos.

O relator também ressaltou a aplicação do princípio do livre convencimento motivado, previsto no artigo 371 do Código de Processo Civil, que garante ao magistrado liberdade para avaliar todas as provas produzidas no processo, sem ficar restrito a um único meio de comprovação.

Apesar de admitir provas diversas, o STJ estabeleceu que a mera ausência de vínculos empregatícios registrados na CTPS ou no CNIS não basta para caracterizar o desemprego involuntário. Para a Corte, o segurado deverá apresentar elementos adicionais que demonstrem a efetiva falta de renda e a busca por recolocação no mercado de trabalho.

De acordo com o entendimento firmado, a prorrogação do período de graça constitui uma exceção prevista em lei e, por isso, exige prova suficiente da condição de desemprego involuntário, a ser apreciada pelo juiz conforme as circunstâncias de cada caso.

A tese fixada em recurso repetitivo deverá orientar as instâncias inferiores em casos semelhantes, promovendo maior uniformidade na interpretação da legislação previdenciária.

Leia o acórdão no REsp 2.169.736.

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 2169736

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo