STJ mantém condenação da Globo por exibição de imagens de velório

Data:

luciano huck, fausto Silva e Rede Globo recebem representação no TSE
Créditos: Labrador Photo Video / Shutterstock.com

A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, por unanimidade, a condenação da Globo ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais aos pais de um jovem morto em 2016, em episódio de violência entre torcidas organizadas no futebol paulista.

O colegiado considerou ilícita a exibição, pela GloboNews, de imagens do velório e do sepultamento da vítima sem autorização da família. Segundo o STJ, a veiculação ultrapassou os limites do dever de informar e violou direitos da personalidade, especialmente em um momento íntimo marcado pelo luto, cuja exibição não era indispensável à compreensão dos fatos noticiados.

A ação indenizatória foi ajuizada pelos pais da vítima, que alegaram que a reportagem utilizou cenas do funeral como mero recurso ilustrativo, sem necessidade jornalística, agravando o sofrimento familiar e desrespeitando a privacidade e sensibilidade do evento.

Em primeira instância, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) reconheceu o abuso no exercício da liberdade de imprensa, ressaltando que a matéria poderia ter sido veiculada sem exibir o velório, pois tal circunstância não contribuía para a narrativa sobre a violência entre torcidas.

O relator do recurso no STJ, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, destacou que, embora o episódio envolvendo a morte do jovem seja grave, a veiculação das imagens do funeral configurou ofensa aos pais, principalmente diante de pedidos expressos para não exibir as cenas.

Durante o julgamento, os ministros enfatizaram que o direito à imagem e à dignidade não se extingue com a morte. A ministra Nancy Andrighi ressaltou que a dignidade da pessoa humana se estende além do falecimento, incluindo a proteção da memória e da imagem do indivíduo. O ministro Moura Ribeiro acompanhou o relator, afirmando que não é admissível dispor da imagem do falecido em tais circunstâncias e destacando que a decisão preserva valores fundamentais de respeito e dignidade humana.

Processo: REsp 2.199.157

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministros do STJ completam 13 anos de atuação com precedentes relevantes em diversas áreas do Direito

Moura Ribeiro, Regina Helena Costa e Rogerio Schietti Cruz completam 13 anos no STJ com atuação marcada por julgamentos relevantes e formação de precedentes. Os ministros se destacam, respectivamente, em matérias de Direito Privado, Direito Público e Direito Penal e Processual Penal.

Cobranças judiciais de dívidas privadas atingem recorde histórico no Brasil em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram recorde histórico em 2025, com 1,23 milhão de novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, alta de aproximadamente 60% em relação a 2020. O crescimento ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias e às dificuldades de renegociação extrajudicial. Especialistas apontam fatores como excesso de crédito, juros elevados e dificuldades financeiras de consumidores, empresas e produtores rurais como elementos que contribuem para o aumento da judicialização.

MC Pipokinha é condenada por expor adolescentes a conteúdo sexual durante show em MS

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou MC Pipokinha e outras quatro pessoas ao pagamento conjunto de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos, após um show em Corumbá que, segundo o processo, expôs adolescentes a cenas de nudez parcial e simulações de atos sexuais. A cantora deverá pagar R$ 100 mil, enquanto os demais condenados deverão desembolsar R$ 15.525 cada. Os valores serão destinados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Cabe recurso.

Homem é condenado em Taiwan por usar robô aspirador para filmar esposa sem consentimento

Um homem em Taiwan foi condenado a cinco meses de prisão e multado após usar remotamente um robô aspirador com câmera para filmar a esposa em momentos íntimos com outro homem. Embora as imagens tenham sido utilizadas em uma ação civil sobre infidelidade, a Justiça considerou ilegal a gravação por violar o direito à privacidade da mulher, ressaltando que o casamento não elimina a proteção à intimidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo