STJ vai definir se precatórios e RPVs podem ser expedidos antes do trânsito em julgado

Data:

Precatórios
Créditos: simpson33 / iStock

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afetou dois recursos especiais para julgamento sob o rito dos recursos repetitivos com o objetivo de definir se é possível expedir precatório ou Requisição de Pequeno Valor (RPV), com restrição ao saque, antes do trânsito em julgado da decisão proferida no cumprimento de sentença.

A matéria foi cadastrada como Tema 1.444 e deverá orientar a solução de processos semelhantes em todo o país.

Além da afetação dos recursos, o colegiado determinou a suspensão de todos os processos que discutem a mesma questão jurídica e que estejam em fase de recurso especial ou agravo em recurso especial nos tribunais de segunda instância ou no próprio STJ.

Controvérsia envolve execução contra a Fazenda Pública

Um dos processos selecionados como paradigma envolve uma execução movida pela Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal (Ansef) contra a União.

No recurso, a União questiona decisão que autorizou a expedição de requisições de pagamento com ordem de bloqueio para saque durante a fase de cumprimento de sentença coletiva.

Segundo o ente público, a Constituição Federal e o Código de Processo Civil condicionam a expedição de precatórios e RPVs ao trânsito em julgado da decisão que rejeita eventual impugnação ao cumprimento de sentença.

A União sustenta ainda que a legislação impede a execução provisória de decisões que concedam vantagens a servidores públicos e argumenta que a inclusão dos valores na proposta orçamentária depende da existência de decisão definitiva.

União aponta impacto bilionário

Ao justificar a relevância da controvérsia, a União informou que existem diversas decisões semelhantes autorizando a expedição de precatórios antes do trânsito em julgado.

Segundo o recurso, os processos que tratam da mesma matéria representam um impacto financeiro estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões aos cofres públicos.

Julgamento definirá precedente obrigatório

Relator dos recursos repetitivos, o ministro Teodoro Silva Santos destacou que a definição da tese contribuirá para uniformizar a jurisprudência do STJ e fortalecer o sistema de precedentes instituído pelo Código de Processo Civil.

O magistrado ressaltou que atualmente há divergência entre decisões proferidas pelos tribunais e entendimentos do próprio STJ sobre a possibilidade de expedição de precatórios ou RPVs antes da formação da coisa julgada.

Recursos repetitivos garantem uniformidade

O julgamento ocorrerá pelo rito dos recursos repetitivos, mecanismo previsto no Código de Processo Civil para solucionar controvérsias jurídicas que se repetem em milhares de processos.

A tese que vier a ser fixada pelo STJ deverá orientar os demais tribunais na análise de casos idênticos, promovendo maior uniformidade, segurança jurídica e celeridade na prestação jurisdicional.

Leia o acórdão de afetação do REsp 2.250.310.

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):

REsp 2250310

REsp 2250079

(Com informações do STJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo