Suprema Corte dos EUA inicia julgamento sobre legalidade do tarifaço de Donald Trump

Data:

artigo pós-humanismo
Créditos: Andreas Rauh / Shutterstock.com

A Suprema Corte dos Estados Unidos inicia nesta quarta-feira (5/11) as sustentações orais do caso que pode definir os rumos da política econômica do presidente Donald Trump: a legalidade das tarifas impostas, por decreto, em abril, sobre produtos importados.

O processo, Learning Resources v. Trump, é considerado o mais relevante do ano e desperta atenção internacional, já que afeta diretamente países que mantêm relações comerciais com os EUA — entre eles, o Brasil. A decisão final é aguardada para janeiro de 2026.

Uma eventual derrota do governo pode desestruturar um dos pilares da política econômica de Trump, gerar perdas bilionárias em receitas e obrigar a restituição das tarifas já cobradas — estimadas em cerca de US$ 90 bilhões. Por outro lado, uma decisão favorável poderá ampliar significativamente os poderes do presidente, transferindo-lhe atribuições que a Constituição reserva ao Congresso.

A Constituição dos EUA, em seu artigo 1º, seção 8, cláusula 1, atribui exclusivamente ao Congresso o poder de “impor e arrecadar impostos, tarifas e tributos”. Parlamentares de ambos os partidos sustentam que essa prerrogativa não pode ser delegada ao Executivo. Mais de 200 congressistas, incluindo a senadora republicana Lisa Murkowski, apresentaram uma petição amicus curiae à Suprema Corte, afirmando que nenhuma lei autoriza o presidente a usar tarifas como instrumento de política comercial.

Base legal em disputa
Trump fundamentou suas medidas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (International Emergency Economic Powers Act — IEEPA), de 1977. Segundo o governo, a norma autoriza o presidente a definir unilateralmente taxas de importação, desde que declare estado de emergência.

As empresas autoras da ação — Learning Resources, Inc. e Hand2mind, Inc. — e uma coalizão de 12 estados argumentam que a IEEPA permite regular o comércio exterior, mas não criar tarifas, competência exclusiva do Congresso. Três tribunais federais e uma corte de apelações já decidiram contra o governo, afirmando que a lei não menciona “tarifas” ou “impostos de importação”.

O ex-juiz federal Michael McConnell, representante dos peticionários, destacou: “Essa é a essência da Revolução Americana — a tributação só é legítima quando aprovada pelos representantes do povo.”

Na defesa, o Departamento de Justiça sustenta que as cortes não devem questionar a declaração de emergência feita por Trump, alegando que o déficit comercial chegou a um “ponto crítico” e que as tarifas seriam um instrumento de negociação.

Cenário na Suprema Corte
A decisão deve depender do posicionamento de ministros conservadores como Neil Gorsuch, Brett Kavanaugh e o presidente da Corte, John Roberts. Gorsuch, adepto do originalismo, entende que os fundadores dos EUA não previram tamanha concentração de poder no Executivo. Kavanaugh tende a considerar os impactos práticos de cada decisão, e Roberts já indicou que o caso pode ser analisado à luz da “doutrina das questões maiores”.

Essa doutrina estabelece que, em temas de grande relevância econômica ou política, o Congresso deve autorizar expressamente qualquer ampliação de poderes do Executivo. Foi com base nesse princípio que a Suprema Corte derrubou, no governo de Joe Biden, decretos sobre mudanças climáticas, vacinação obrigatória e perdão de dívidas estudantis.

Agora, o mesmo entendimento poderá ser aplicado ao tarifaço de Trump, definindo os limites da autoridade presidencial sobre a política comercial norte-americana.

(Com informações do ConJur)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Bruno Dantas formaliza renúncia ao cargo de ministro do TCU e abre caminho para indicação de Rodrigo Pacheco

O ministro Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU), com saída prevista para 9 de setembro. A vaga, destinada à indicação do Senado Federal, deverá ser disputada politicamente e o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força para assumir o posto. A mudança ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e às articulações do Congresso antes das eleições de 2026.

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo