TJ-SP mantém anulação de contrato de corretagem após cliente firmar negócio durante episódio de mania bipolar

Data:

Imóveis particulares podem sofrer usucapião
Créditos: oatawa / iStock

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a anulação de um contrato de corretagem imobiliária ao reconhecer que a consumidora firmou o negócio durante um episódio de mania, impulsividade e compulsão associado ao Transtorno Bipolar, comprometendo seu discernimento no momento da contratação. A 26ª Câmara de Direito Privado determinou que a empresa devolva R$ 1.295 à cliente.

O colegiado considerou que, apesar de não haver interdição formal, o quadro emocional apresentado na época tornava inválido o negócio jurídico.

Laudo do IMESC

A consumidora relatou ter assinado o contrato em dezembro de 2021, período em que enfrentava grave instabilidade emocional. O processo aponta histórico de transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, compulsão por compras e automutilação, quadro que teria se agravado antes da contratação.

A empresa responsável pela intermediação recorreu, sustentando que a cliente não era interditada e levava rotina regular de trabalho e estudos, o que demonstraria capacidade para compreender o negócio firmado.

O TJ-SP, porém, analisou o laudo do IMESC (Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo), além de prontuários e outros documentos médicos. A relatora, desembargadora Maria de Lourdes Lopez Gil, ressaltou que a perícia oficial foi decisiva para comprovar o estado psicológico da consumidora. O laudo apontou compulsão por compras, automutilação, ajustes de medicação e significativa instabilidade emocional no período da assinatura, indicando incapacidade para avaliar adequadamente o negócio.

“Os autos trazem prova pericial sólida de que a autora não tinha plena capacidade para a prática do ato”, afirmou a magistrada.

Incapacidade relativa

A relatora destacou que o reconhecimento da incapacidade relativa não depende de interdição formal, desde que existam elementos que comprovem a falta de discernimento no momento da contratação. “A incapacidade relativa decorrente de problema de saúde mental pode ser reconhecida mesmo sem interdição ou curatela oficialmente decretada”, observou.

O tribunal ressaltou a importância de preservar a segurança dos contratos, mas concluiu que o prejuízo sofrido pela cliente e o impacto sobre sua saúde mental justificam a anulação do negócio e o retorno ao status anterior.

A sentença foi mantida integralmente, anulando o contrato de corretagem e determinando a restituição de R$ 1.295, acrescidos de correção monetária e juros.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Recuperação judicial exige equilíbrio para preservar empresas e credores, diz Marcello Perino

A recuperação judicial é um mecanismo importante para preservar empresas viáveis, mas deve ser conduzida com equilíbrio entre a continuidade da atividade econômica e a proteção dos credores. Para Marcello Perino, a adoção de critérios técnicos e a análise rigorosa da viabilidade dos planos são essenciais para garantir a efetividade do processo e a segurança jurídica.

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo