TJ-SP mantém desconsideração de personalidade jurídica em caso de blindagem patrimonial fraudulenta

Data:

sem defesa
Créditos: Artisteer | iStock

A 15ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reafirmou que, quando comprovada a blindagem patrimonial fraudulenta, é cabível a desconsideração da personalidade jurídica, conforme o artigo 50 do Código Civil. O colegiado negou provimento a recurso que questionava decisão determinando a inclusão de imóveis de uma empresa no polo passivo de uma ação de execução.

De acordo com os autos, o executado transferiu imóveis avaliados em cerca de R$ 4 milhões para uma holding recém-criada, por valor inferior ao de mercado. Posteriormente, ao ser ajuizada a ação de execução, ele doou suas cotas da empresa à ex-esposa, sem qualquer contraprestação.

O juízo de primeira instância considerou que os atos configuraram confusão patrimonial e intenção deliberada de ocultar bens, em prejuízo da credora. Destacou ainda que os imóveis haviam sido adquiridos antes do casamento, reforçando o caráter fraudulento da operação.

No recurso ao TJ-SP, a defesa da holding sustentou que os bens seriam impenhoráveis por se tratarem de bem de família. O argumento, contudo, foi rejeitado pelo relator, desembargador Vicentini Barroso, que entendeu estar caracterizada a finalidade de blindagem patrimonial.

“A situação do caso concreto e a atuação de má-fé do executado, juntamente com a agravante, não justificam o reconhecimento da proteção alegada, especialmente quando a empresa é constituída, na prática, com o propósito evidente de blindagem patrimonial em detrimento dos credores”, afirmou o relator.

O voto foi acompanhado de forma unânime pelos demais integrantes da Câmara.

Os credores foram representados pela Lemos Jorge Consultoria Jurídica.

Processo: 2241164-53.2025.8.26.0000

(Com informações da revista Consultor Jurídico)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo