TJDFT mantém condenação de ex-servidor por instalação de câmera em banheiro e reconhece direito de regresso do DF

Data:

câmeras de segurança
Créditos: Rawf8 | iStock

A 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a sentença que julgou procedente ação regressiva ajuizada pelo Distrito Federal, condenando ex-servidor público ao ressarcimento da quantia de R$ 12.027,73, correspondente à indenização paga pelo ente federativo em ação de reparação por danos morais decorrentes de violação à intimidade de servidora.

Conforme os autos, o réu foi demitido após regular processo administrativo disciplinar que apurou a instalação de equipamento de captação de imagens no banheiro da Unidade de Internação de São Sebastião, ambiente de uso exclusivo de servidoras. Em razão da conduta ilícita, uma das servidoras ajuizou ação indenizatória em face do Distrito Federal, a qual foi julgada procedente, com condenação ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 12.027,73. Após o trânsito em julgado da decisão, o Distrito Federal exerceu o direito de regresso contra o ex-servidor.

Em sede recursal, o réu não negou a autoria da instalação das câmeras, mas sustentou a inexistência de nexo causal em relação à servidora indenizada, ao argumento de que ela não teria sido diretamente filmada. Alegou, ainda, que o dano suportado pelo ente público teria decorrido de suposta deficiência na defesa técnica apresentada na ação indenizatória.

Ao analisar o recurso, a relatora destacou que, nos termos do artigo 37, §6º, da Constituição Federal, a responsabilidade civil do Estado é objetiva, assegurado o direito de regresso contra o agente público nos casos de dolo ou culpa. Ressaltou, ainda, que a ação regressiva não se presta à rediscussão de matéria fática e jurídica já definitivamente apreciada em decisão transitada em julgado, sob pena de afronta à coisa julgada material.

A magistrada consignou que a condenação do Distrito Federal na ação indenizatória reconheceu, de forma definitiva, a ocorrência de violação à intimidade da servidora e a consequente obrigação de indenizar. Destacou, ainda, que o elemento subjetivo do dolo restou plenamente configurado, uma vez que o próprio réu confessou a instalação de câmeras em banheiro utilizado por servidoras, conduta que caracteriza grave afronta a direitos fundamentais e configura ato ilícito.

O colegiado enfatizou que o direito de regresso possui função preventiva, ao desestimular práticas ilícitas no âmbito da Administração Pública, e função sancionatória, ao impor ao agente público a responsabilização patrimonial decorrente de ato doloso.

A decisão foi unânime.

Processo nº 0707016-64.2025.8.07.0018.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Primeiros processos sob nova sistemática da relevância da questão federal serão analisados pelo STJ

O STJ realizará, entre 30 de setembro e 6 de outubro, as primeiras sessões virtuais para análise de processos submetidos à nova sistemática da relevância da questão federal. As três Seções especializadas examinarão controvérsias relacionadas a atividade especial por exposição à eletricidade, honorários advocatícios em cobranças de taxas condominiais e utilização da palavra da vítima em processos envolvendo estupro de vulnerável e assédio sexual. O novo sistema prevê diferentes procedimentos conforme o reconhecimento ou não da relevância e poderá resultar na formação de precedentes qualificados.

Banco Central amplia de 30 para 80 dias prazo para contestar devoluções do Pix pelo MED

O Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para contestação de devoluções realizadas pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix quando o recebedor suspeitar que o mecanismo foi acionado de forma fraudulenta. A mudança entrou em vigor em 1º de setembro e beneficia especialmente comerciantes e prestadores de serviços que podem sofrer com falsas alegações de fraude após receberem pagamentos. O prazo para a vítima de um golpe solicitar o MED permanece em até 80 dias após a transferência original.

Cristiano Zanin é reconduzido ao cargo de ministro substituto do TSE por mais dois anos

O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi reconduzido para mais dois anos no cargo de ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Ele integra a composição da corte eleitoral desde agosto de 2024. O TSE é formado por sete ministros titulares e sete substitutos, com representação do STF, do STJ e da advocacia. O novo mandato de Zanin terá duração de dois anos, conforme as regras aplicáveis aos ministros indicados pelo Supremo.

STJ aplica multa por litigância de má-fé após identificar comando oculto para manipular sistema de IA

A Segunda Turma do STJ aplicou multa de 10% sobre o valor da causa por litigância de má-fé após identificar um prompt injection oculto em uma petição de recurso especial assinada por um procurador municipal. O comando buscava influenciar sistemas de inteligência artificial do tribunal para favorecer o pedido apresentado no processo. O STJ considerou a conduta grave e determinou a comunicação do caso à OAB, ao MPF, à Polícia Federal e ao município. O relator destacou que advogados são responsáveis pelo conteúdo das peças que assinam e protocolam, devendo garantir sua autenticidade e regularidade.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo