TJDFT mantém nulidade de contratos de consórcio por promessa enganosa de contemplação imediata

Data:

Imobiliária pagará indenização por não entregar imóvel dentro do prazo
Créditos: Ivan-balvan | iStock

A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios manteve decisão que anulou três contratos de consórcio firmados entre um consumidor e a Embracon Administradora de Consórcio Ltda, em razão de falsa promessa de contemplação imediata.

Segundo o processo, o consumidor adquiriu, em fevereiro de 2024, três cotas de consórcio imobiliário, cada uma no valor de R$ 200 mil, após receber garantia, por mensagens, de que seria contemplado já no mês seguinte. No entanto, a contemplação não ocorreu, levando o autor a ingressar com ação judicial para reaver os valores pagos — R$ 27.672,39 — além de pleitear indenização por danos morais.

Em primeira instância, a 3ª Vara Cível de Ceilândia declarou a nulidade dos contratos e determinou a restituição integral das quantias pagas. Ao recorrer, a empresa alegou a validade dos contratos e, de forma subsidiária, requereu o direito de reter a taxa de administração de 28%, bem como realizar a devolução apenas ao final do grupo de consórcio.

Ao analisar o caso, o colegiado rejeitou os argumentos da administradora. O relator destacou que as mensagens apresentadas comprovaram que houve promessa de contemplação imediata, prática que caracteriza publicidade enganosa à luz do Código de Defesa do Consumidor, por induzir o consumidor a erro quanto às condições do serviço.

Embora os contratos previssem que a contemplação ocorreria apenas por sorteio ou lance, e vedassem garantias quanto ao prazo, o Tribunal entendeu que a conduta do representante da empresa contrariou essas disposições, vinculando a oferta ao conteúdo das mensagens.

A decisão também enfatizou que o dever de informação clara e adequada é princípio essencial nas relações de consumo, sendo que informações prestadas antes da contratação integram o conteúdo do contrato. Nesse contexto, a promessa indevida configurou vício de consentimento, justificando a anulação dos negócios jurídicos.

Quanto à retenção da taxa de administração, a Turma afastou essa possibilidade, ressaltando que, diante da nulidade, as partes devem retornar ao estado anterior, com a restituição imediata e integral dos valores pagos. O colegiado ainda diferenciou a hipótese de anulação por vício de consentimento da desistência voluntária, situação em que a retenção poderia ser admitida.

A decisão foi unânime.

Processo:0732500-63.2024.8.07.0003.

(Com informações do TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Defesa de Daniel Vorcaro aponta alterações em arquivos de celular apreendido pela Polícia Federal

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao STF um laudo particular que identificou alterações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal. O documento questiona procedimentos de preservação e extração de provas digitais e fundamenta o pedido de acesso aos dados originais do dispositivo.

Justiça nega pedido de Willer Tomaz para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre ilha

A Justiça de Brasília negou pedido de Willer Tomaz e da empresa WT Administração de Imóveis e Bens para obrigar Richarlison a apagar publicações sobre a disputa por uma ilha em Angra dos Reis. O processo continua em andamento.

Maior corretora de criptomoedas do mundo sofre invasão e perde bilhões

A Binance sofreu um ataque hacker que resultou no desvio estimado de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora suspendeu temporariamente os saques, afirmou que os recursos dos clientes estão protegidos e prometeu cobrir os prejuízos. Empresas do setor conseguiram bloquear parte dos ativos, enquanto as investigações sobre a autoria do ataque continuam.

Presidente do TRF-1 decide em processo envolvendo empresa representada pela própria filha

A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região...

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo