Disputa pela guarda de filho não autoriza concessão de medidas protetivas, decide TJMG

Data:

divórcio
Créditos: Andrey Popov | iStock

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu que conflitos decorrentes de disputas familiares, desacompanhados de indícios concretos de violência de gênero ou de ameaça atual à integridade física, não justificam a concessão de medidas protetivas. O entendimento foi firmado pela Vara Criminal de Muriaé (MG) e mantido após a análise de embargos de declaração.

O pedido foi formulado pela ex-companheira e pela ex-cunhada do requerido. Antes da apreciação do mérito, a juíza Michelle Felipe Camarinha de Almeida determinou a realização de estudo social. O laudo técnico, em conjunto com o parecer do Ministério Público, concluiu que os desentendimentos entre as partes decorriam de divergências relacionadas à guarda, visitação e cuidados com o filho do ex-casal, sem a presença de elementos que indicassem violência doméstica motivada por gênero ou risco concreto às requerentes.

Diante desse cenário, o pedido foi inicialmente indeferido por ausência de elementos mínimos que autorizassem a aplicação das medidas previstas na Lei Maria da Penha. Inconformadas, as autoras opuseram embargos de declaração, alegando omissão na análise das provas e juntando novos documentos, como áudios, vídeos e registros de ocorrência.

A defesa do homem sustentou que os materiais apresentados não eram novos nem contemporâneos aos fatos alegados e defendeu que a controvérsia deveria ser solucionada no âmbito do Direito de Família, alertando para o uso indevido da legislação penal como instrumento para resolução de conflitos parentais.

Ao examinar os embargos, a magistrada reconheceu omissão formal quanto à análise dos documentos, mas concluiu que eles não modificavam o quadro fático já delineado. Segundo a decisão, os novos boletins de ocorrência sequer indicavam a ex-companheira como vítima e não demonstravam situação de risco atual.

A juíza destacou ainda que a falta de contemporaneidade entre os fatos narrados e o pedido de tutela impede a imposição de restrições ao requerido. Ressaltou, também, que eventuais conflitos envolvendo a irmã da autora devem ser discutidos em procedimento próprio, não sendo possível ampliar o alcance da Lei Maria da Penha para questões típicas da Vara de Família.

Ao final, concluiu que o conjunto probatório revela apenas animosidade decorrente de disputas familiares, já submetidas ao juízo competente, sem qualquer indício de perigo imediato que justificasse a concessão de medidas protetivas.

Processo nº 5003998-21.2025.8.13.0439

(Com informações do JuriNews)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Recuperação judicial exige equilíbrio para preservar empresas e credores, diz Marcello Perino

A recuperação judicial é um mecanismo importante para preservar empresas viáveis, mas deve ser conduzida com equilíbrio entre a continuidade da atividade econômica e a proteção dos credores. Para Marcello Perino, a adoção de critérios técnicos e a análise rigorosa da viabilidade dos planos são essenciais para garantir a efetividade do processo e a segurança jurídica.

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo