TRF-1 anula exoneração de professor da UnB e determina reintegração por irregularidade no estágio probatório

Data:

assédio sexual
Créditos: Alexas_Fotos / Pixabay

A 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve a decisão que declarou ilegal a exoneração de um professor da Fundação Universidade de Brasília (FUB), determinando sua reintegração ao cargo e o pagamento de valores retroativos desde o desligamento.

O caso envolve a dispensa do docente por suposta inabilitação em estágio probatório. Ao analisar o processo, o relator, desembargador federal Morais da Rocha, destacou que a atuação do Judiciário se restringe à verificação da legalidade do ato administrativo, especialmente quanto ao respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.

Segundo o magistrado, o servidor tomou posse em janeiro de 2019 e foi exonerado em fevereiro de 2022, quando já havia completado três anos de exercício no cargo. Para o relator, o transcurso do prazo legal implica aquisição de estabilidade, nos termos do artigo 41 da Constituição Federal, o que impede a exoneração sem a instauração de processo administrativo regular.

O voto também apontou irregularidades no procedimento de avaliação de desempenho. Entre elas, a ausência de comprovação de que a comissão responsável tenha sido formalmente constituída para a finalidade específica de avaliação especial, conforme exigem a Constituição e a Lei nº 8.112/1990.

Além disso, o tribunal verificou que não houve notificação formal do servidor sobre avaliações negativas, nem garantia plena do contraditório e da ampla defesa durante o processo.

Diante dessas falhas, o colegiado, por unanimidade, negou provimento à apelação da Fundação Universidade de Brasília e manteve a anulação do ato de exoneração, assegurando a reintegração do professor ao cargo público.

Processo: 1029088-46.2024.4.01.3400

(Com informações do TRF-1)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Câmeras com IA identificam comportamentos suspeitos e reacendem debate sobre vigilância

Câmeras de monitoramento, tradicionalmente utilizadas para registrar ocorrências e...

Inteligência artificial amplia ataques cibernéticos e coloca empresas brasileiras na mira de grupos criminosos

O avanço da inteligência artificial generativa tem contribuído para o aumento e a sofisticação de ataques cibernéticos realizados por grupos criminosos. No Brasil, empresas e instituições passaram a figurar entre os alvos de operações de ransomware e roubo de dados. Além dos prejuízos financeiros, os ataques podem gerar responsabilidades relacionadas à proteção de dados pessoais e exigir comunicação à ANPD e aos titulares afetados.

Nova lei aumenta penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes na internet

A Lei 15.487/2026 endureceu as penas para crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles praticados pela internet ou com o uso de inteligência artificial. A norma elevou diversas penas, incluiu os crimes no rol dos hediondos, criou mecanismos de investigação digital, como as chamadas “rondas virtuais”, e ampliou a proteção psicológica e psicossocial às vítimas. A legislação também prevê aumento de pena quando houver uso de IA, deepfakes, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos online para facilitar a prática criminosa.

Alemanha planeja reformar “minijobs” e ampliar contribuição previdenciária

A Alemanha avalia reformar o sistema de “minijobs”, modalidade de trabalho de curta jornada que atende cerca de 7 milhões de pessoas. Entre as propostas estão o fim da possibilidade de renunciar às contribuições previdenciárias e o aumento dos encargos pagos pelas empresas. Sindicatos defendem a mudança por considerarem o modelo precário, enquanto empregadores argumentam que os minijobs garantem flexibilidade ao mercado de trabalho. Estudantes e trabalhadores que dependem dessa modalidade temem redução da renda. O governo alemão ainda deverá definir os detalhes da reforma.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo