TSE afasta inelegibilidade reflexa e exige prova robusta de reconhecimento público do vínculo socioafetivo.

Data:

urna eleitoral
Créditos: BrianAJackson / Envato Elements

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a inelegibilidade por parentesco prevista na Constituição Federal pode alcançar vínculos socioafetivos, desde que haja prova consistente de que essa relação é amplamente reconhecida pela sociedade. Com esse entendimento, a Corte afastou a cassação de Marcones Melo (PSD), eleito prefeito de General Maynard (SE) nas eleições de 2024.

A controvérsia surgiu após o questionamento da candidatura do político sob a alegação de que ele manteria relação de filiação socioafetiva com o então prefeito do município, Valmir de Nira (PSD). O argumento foi sustentado com base em publicações nas redes sociais nas quais ambos se tratavam como “pai” e “filho”.

Em razão dessas evidências e de depoimentos testemunhais, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) entendeu que a situação se enquadrava na regra constitucional que impede a candidatura de parentes próximos de chefes do Poder Executivo e determinou a cassação do registro do candidato.

Ao analisar o recurso, a maioria dos ministros do TSE concluiu que a interpretação adotada pelo tribunal regional não foi suficiente para justificar a aplicação da inelegibilidade. O relator do caso, ministro Nunes Marques, destacou que a caracterização do parentesco socioafetivo exige demonstração clara de que o vínculo é público, contínuo e reconhecido pela comunidade, não bastando apenas relações de amizade, proximidade ou afeto.

Segundo o magistrado, as provas utilizadas pelo TRE-SE se limitaram a poucas publicações em redes sociais e a testemunhos que indicavam apenas uma relação próxima entre os envolvidos. Para o relator, esse conjunto probatório não demonstrou, de forma inequívoca, que a população local os reconhecia socialmente como pai e filho.

Nunes Marques ressaltou que a aplicação de uma causa de inelegibilidade exige cautela, diante dos impactos sobre o direito de candidatura e sobre a manifestação da vontade popular. Por esse motivo, considerou insuficiente a utilização de provas isoladas para restringir direitos políticos.

Diante da ausência de elementos robustos que comprovassem o reconhecimento público do vínculo socioafetivo, prevaleceu o princípio do in dubio pro suffragio, segundo o qual eventuais dúvidas devem ser resolvidas em favor da preservação da escolha feita pelo eleitorado.

Houve divergência apresentada pela ministra Isabel Gallotti, acompanhada pelo ministro Antonio Carlos Ferreira. Para eles, o processo deveria retornar ao TRE-SE para nova análise das provas produzidas posteriormente à contestação inicial e que ainda não haviam sido examinadas pelo tribunal regional.

Confira aqui a decisão.

(Com informações do Juri News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Ministro do STJ suspende julgamento de desapropriação após crítica de advogada a caso considerado “absurdo”

O ministro Afrânio Vilela, do STJ, pediu vista de processo sobre indenização por desapropriação após uma advogada classificar o caso como “absurdo”. A controvérsia envolve a ampliação da área considerada para o cálculo indenizatório, e o julgamento foi suspenso para que o magistrado reexamine os fundamentos de sua posição.

EUA anunciam transmissão ao vivo da execução de militar condenado por ataque em base do Texas

O Pentágono anunciou que a execução de Nidal Malik Hasan, condenado pelo assassinato de 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, está prevista para 3 de dezembro de 2026 e poderá ser transmitida ao vivo. O procedimento deverá ocorrer por fuzilamento, mas as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre a transmissão. O anúncio reacendeu o debate sobre a pena de morte e a publicidade das execuções nos Estados Unidos

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta

O TJDFT manteve a condenação de uma concessionária de cemitérios pelo furto de uma motocicleta em uma de suas unidades. A 7ª Turma Cível identificou falhas no dever de vigilância, apesar da previsão contratual de segurança armada 24 horas por dia. O tribunal entendeu que a terceirização do serviço não afasta a responsabilidade da concessionária. A indenização de R$ 16.174,00 por danos materiais foi mantida, com correção monetária e juros. A decisão foi unânime.

Justiça concede liminar e permite funcionamento temporário de casa de aposta

Justiça Federal em São Paulo concede liminar que permite à Stake Brazil continuar operando até 25 de outubro de 2026. A decisão considera a necessidade de observar um prazo de transição antes da suspensão das atividades.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo