Justiça vê irregularidade em pagamento de defesa criminal com recursos do Cruzeiro

Data:

São Paulo F.C. não terá de pagar prêmio por título mundial de 2005 a jogador não inscrito no torneio
Créditos: Phonlamai Photo / Shutterstock.com

A 11ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte condenou o ex-presidente do Cruzeiro Esporte Clube, Wagner Antônio Pires de Sá, e o ex-vice-presidente de futebol, Itair Machado de Souza, a ressarcirem solidariamente o clube em R$ 49.360,01. A decisão também manteve a indisponibilidade de bens dos réus, determinada anteriormente em caráter cautelar.

A ação foi proposta pelo Cruzeiro, que alegou ter arcado indevidamente com honorários advocatícios destinados à defesa criminal particular de Itair Machado. Segundo os autos, durante a gestão de Wagner Pires de Sá, foi firmado contrato com um escritório de advocacia para atuar em processos criminais envolvendo o então dirigente.

De acordo com o clube, os procedimentos judiciais tinham caráter estritamente pessoal, relacionados a acusações de ameaça, difamação e injúria contra um ex-diretor da instituição. Por isso, sustentou que a utilização de recursos da associação para custear a defesa representou desvio de finalidade e causou prejuízo ao patrimônio da entidade.

Em suas defesas, os ex-dirigentes alegaram que a contratação observou as normas estatutárias do clube e argumentaram que os fatos discutidos nos processos criminais estavam relacionados ao exercício de funções institucionais. Também sustentaram que as contas da gestão haviam sido aprovadas pelos órgãos internos da associação.

Os réus ainda solicitaram a suspensão do processo cível até o julgamento de ação penal que tramita sobre os mesmos fatos. Contudo, a juíza Claudia Aparecida Coimbra Alves rejeitou o pedido, ressaltando a independência entre as esferas cível e criminal prevista no ordenamento jurídico brasileiro.

Ao analisar o caso, a magistrada concluiu que as provas documentais demonstraram que os processos criminais possuíam natureza essencialmente pessoal e não guardavam vínculo com interesses institucionais do clube. Segundo a decisão, uma associação civil não possui obrigação de custear a defesa criminal de dirigentes por atos praticados em conflitos particulares.

A sentença também reconheceu a ocorrência de desvio de finalidade e enquadrou a conduta como gestão temerária, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Para a juíza, houve utilização indevida de recursos da entidade em benefício privado, configurando abuso de poder por parte do então presidente e vantagem econômica indevida ao ex-vice-presidente.

A magistrada destacou ainda que a aprovação das contas pelos órgãos internos do clube não afasta eventual ilicitude dos atos praticados, especialmente diante de ressalvas registradas quanto à qualidade dos gastos e à existência de indícios de gestão temerária.

Com a condenação, os ex-dirigentes deverão devolver ao Cruzeiro o valor desembolsado pelo clube, acrescido de correção monetária e juros de mora de 1% ao mês desde cada pagamento realizado. A decisão foi proferida em primeira instância e ainda pode ser objeto de recurso.

(Com informações do TJ-MG)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Nunes Marques dá prazo para PGR se manifestar sobre revisão da condenação de Bolsonaro

Kassio Nunes Marques concedeu dez dias para que a PGR se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro, que busca reverter a condenação de 27 anos e três meses de prisão. O caso deverá ser encaminhado ao plenário do STF após a manifestação da Procuradoria.

Desembargador do TJ-MG publica fotos com arma em rede social

O desembargador Roberto Apolinário de Castro, do TJ-MG, publicou fotos com uma arma de fogo e afirmou possuir autorização para porte. Em nota, declarou que as imagens foram feitas em sua residência e que o armamento está legalizado. O CNJ informou que não havia procedimento sobre o caso até a publicação da reportagem.

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Renato Cariani e de outros dois investigados por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação aponta o desvio de cerca de 12 toneladas de produtos químicos e possível movimentação superior a R$ 6 milhões. O processo está na fase de alegações finais da defesa.

STF suspende julgamento sobre restrições à Buser após placar de 3 a 2

O STF suspendeu o julgamento sobre a lei mineira que restringe o transporte coletivo por fretamento utilizado por plataformas como a Buser. Antes do pedido de vista de Dias Toffoli, três ministros votaram pela manutenção das regras e dois pela inconstitucionalidade, em discussão que envolve competência legislativa, livre iniciativa e concorrência.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo