Advogada denuncia supostas irregularidades e fraude eletrônica no Judiciário do Amapá

Data:

Notificação Extrajudicial
Créditos: monkeybusiness / Depositphotos

A advogada Patrícia Porpino Nunes, que também é Pessoa com Deficiência (PCD), denunciou supostas irregularidades praticadas no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá (TJ-AP). Segundo ela, documentos eletrônicos teriam sido adulterados para viabilizar a cobrança de uma dívida que considera inexistente, prescrita e sem respaldo jurídico.

De acordo com Patrícia, a controvérsia teve início após a contratação do escritório Bordalo Junior e Advogados Associados S/C para atuar em uma ação trabalhista de elevado valor econômico. Ela afirma ter pago R$ 200 mil como adiantamento de honorários condicionados ao êxito da causa. No entanto, o processo teria sido perdido em razão de falhas processuais atribuídas ao próprio escritório, o que levou à rescisão contratual por justa causa e ao ajuizamento de ação judicial para reaver os valores pagos.

Durante o processo, o escritório apresentou uma reconvenção no valor de R$ 225 mil. Contudo, segundo a advogada, a medida foi extinta sem resolução de mérito em 2019 por ausência de recolhimento das custas processuais, decisão posteriormente confirmada em 2020.

Patrícia sustenta que, anos depois, o TJAP teria emitido guias de pagamento em seu nome relacionadas justamente às custas dessa reconvenção já extinta. As cobranças, segundo ela, ultrapassavam R$ 3 mil e vieram acompanhadas da ameaça de inscrição em dívida ativa em caso de não pagamento.

A advogada afirma ter identificado, ao analisar os autos eletrônicos, alterações em registros processuais realizadas em outubro de 2024. Conforme sua versão, documentos teriam sido “ressignados” dentro do sistema eletrônico do tribunal para permitir o prosseguimento da cobrança judicial. Ela classifica o episódio como uma das mais graves fraudes processuais já registradas no Judiciário brasileiro.

Outro ponto levantado por Patrícia envolve o suposto sigilo indevido imposto ao processo. Segundo ela, a ação teria sido classificada como envolvendo “criança/adolescente”, apesar de se tratar de litígio cível entre adultos, o que teria restringido o acesso público aos autos.

A advogada também denuncia episódios de violência institucional e misoginia. Ela relata que, em audiência realizada em novembro de 2021, sofreu ataques à sua honra por parte do advogado adversário, sem que o magistrado responsável registrasse o ocorrido em ata ou comunicasse os fatos ao Ministério Público e à OAB.

Na denúncia apresentada, Patrícia aponta, em tese, possíveis crimes como organização criminosa, fraude processual, falsidade ideológica, adulteração de documento público, inserção de dados falsos em sistema informatizado e improbidade administrativa.

Além disso, afirma que decisões judiciais teriam ignorado aspectos relevantes do caso, como a natureza condicionada dos honorários advocatícios, o pagamento antecipado de R$ 200 mil, a existência de petições sem assinatura, sua condição de pessoa com deficiência diagnosticada com fibromialgia e a obrigatoriedade de aplicação da perspectiva de gênero prevista em resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo Patrícia, os fatos estão documentados nos autos do processo nº 0013249-93.2019.8.03.0001, em tramitação na Câmara Única do TJAP. Ela afirma possuir registros eletrônicos, datas, assinaturas digitais e documentos extraídos diretamente do sistema do tribunal para sustentar as acusações.

Com 38 anos de carreira jurídica, Patrícia atuou por décadas em cartório imobiliário no Amapá, além de ter exercido funções institucionais ligadas ao próprio Judiciário local e à ANOREG Brasil. Atualmente, afirma lutar para comprovar as irregularidades e impedir cobranças que considera ilegais.

(Com informações do Direito News)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Bruno Dantas formaliza renúncia ao cargo de ministro do TCU e abre caminho para indicação de Rodrigo Pacheco

O ministro Bruno Dantas formalizou sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU), com saída prevista para 9 de setembro. A vaga, destinada à indicação do Senado Federal, deverá ser disputada politicamente e o nome de Rodrigo Pacheco ganhou força para assumir o posto. A mudança ocorre em meio à reaproximação entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e às articulações do Congresso antes das eleições de 2026.

Governo cria regras para combater cambismo digital e ampliar proteção de consumidores em eventos

O governo federal regulamentou a venda, a revenda e a transferência de ingressos pela internet com medidas destinadas a combater o cambismo digital, ampliar a transparência e proteger direitos dos consumidores. A regulamentação estabelece regras para filas, meia-entrada, taxas, revenda, transferência e reembolso. Outro decreto determina a disponibilização gratuita de água potável em eventos culturais, com regras específicas para eventos com mais de mil pessoas.

Tribunal do Júri condena corintiano por matar esposa palmeirense após discussão

O Tribunal do Júri condenou o empresário Leonardo Souza Ceschini a 13 anos e 24 dias de prisão, em regime fechado, pela morte da esposa, Érica Fernandes Alves Ceschini, ocorrida em 2021. A vítima foi atingida por oito golpes de faca após uma discussão relacionada à rivalidade entre Corinthians e Palmeiras. Os jurados reconheceram o feminicídio, o emprego de meio cruel e o aumento de pena pelo fato de o crime ter ocorrido na presença dos filhos do casal. A defesa informou que pretende recorrer da decisão.

Júri condena homem acusado de orquestrar assassinato do rapper Tupac Shakur

Resumo: Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado por um júri de Las Vegas por participação no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 1996. A acusação sustentou que Davis organizou a ação e estava no veículo de onde partiram os disparos, enquanto a defesa questionou a existência de provas independentes. Davis poderá ser condenado à prisão perpétua, e o caso ainda poderá ser objeto de recursos

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo