STF anula condenação de ex-presidente da Petrobras por cerceamento de defesa

Data:

STF anula condenação de ex-presidente da Petrobras por cerceamento de defesa
Créditos: IndypendenZ | iStock

O STF anulou a condenação do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava-Jato. A decisão tomada no julgamento de recurso no Habeas Corpus 157627 foi fundamentada no fato de que a apresentação das alegações finais de corréus não colaboradores deve se dar após a apresentação do documento por parte dos colaboradores, o que não ocorreu.

O juízo da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR) concluiu a instrução processual e abriu prazo comum para apresentação das alegações finais pelos corréus. A defesa de Aldemir solicitou permissão para apresentar a manifestação após os colaboradores, já que a abertura de prazo comum para colaboradores e não colaboradores traria prejuízos a seu cliente. O pedido foi negado.

O advogado do ex-presidente da Petrobras sustentou no STF que o réu tem o direito de se defender e de rebater todas as alegações acusatórias, inclusive de falar por último, sob pena de configuração do cerceamento de defesa. 

O relator, ministro Edson Fachin, negou seguimento ao habeas corpus por ausência de previsão legal sobre a apresentação de alegações finais em momentos diversos por corréus delatores e delatados.

Mas ministro Ricardo Lewandowski divergiu do voto do relator por entender que houve constrangimento ilegal, pois o direito ao contraditório e à ampla defesa não foi respeitado no momento do oferecimento das alegações finais. Ressaltou que a colaboração premiada é meio de obtenção de prova e que a fixação de prazo simultâneo nesse caso gera prejuízo à defesa, especialmente porque a sentença condenatória foi desfavorável ao acusado. 

Em sua visão, “É irrefutável a conclusão de que, sob pena de nulidade, os réus colaboradores não podem se manifestar por último, em razão da carga acusatória de suas informações”. Assim, votou pelo provimento do recurso para anular a sentença e os atos posteriores ao encerramento da instrução, assegurando ao réu o direito de oferecer novamente os memoriais após os colaboradores.

O ministro Gilmar Mendes e a ministra Cármen Lúcia acompanharam a divergência. Mendes lembrou que o delatado pode inquirir o colaborador e que o contraditório é a melhor forma de saber se o colaborador está mentindo ou omitindo fatos. Já Cármen Lúcia apontou a novidade do tema no Direito.

Processo relacionado: HC 157627 

(Com informações do Supremo Tribunal Federal)

Leia também:

Conheça o Juristas Signer , a plataforma de assinatura de documentos com certificado digital

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google
Juristas
Juristashttp://juristas.com.br
O Portal Juristas nasceu com o objetivo de integrar uma comunidade jurídica onde os internautas possam compartilhar suas informações, ideias e delegar cada vez mais seu aprendizado em nosso Portal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

TRF-3 autoriza retomada das atividades de três casas de apostas e impõe multa à União

O TRF-3 concedeu liminar que autoriza três plataformas da CDA Gaming a retomar as operações no Brasil. A decisão considera os investimentos realizados pela empresa após obter autorização do Ministério da Fazenda e prevê multa diária de R$ 200 mil à União em caso de descumprimento. A AGU pretende recorrer, e a liberação não se estende às demais casas de apostas.

Governo federal enfrenta ataque cibernético contra estruturas do Gov.br e do Serpro

O governo federal enfrentou um ataque cibernético classificado como sem precedentes contra o Gov.br e estruturas do Serpro. A estatal informou ter conseguido responder à ofensiva, mas não divulgou detalhes sobre possíveis danos aos sistemas ou comprometimento de dados pessoais. O episódio reforça a necessidade de investimentos em segurança digital e proteção das informações dos cidadãos.

Fachin defende fortalecimento do sistema de precedentes e cooperação entre tribunais

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, defendeu o fortalecimento do sistema de precedentes judiciais e a cooperação entre os tribunais brasileiros. Durante encontro realizado no STJ, destacou a importância da nova sistemática de admissibilidade dos recursos especiais, da segurança jurídica e da integração tecnológica entre as instituições.

TJ-SC reconhece que cores nacionais, nome do Brasil e bola de futebol são de domínio público

O TJ-SC decidiu que as cores verde e amarela, o nome “Brasil” e a figura de uma bola de futebol são elementos de domínio público e não caracterizam, isoladamente, violação das marcas registradas pela CBF. A Corte negou recurso da entidade contra uma confecção de Gaspar, afastando a cobrança de multa de R$ 40 mil por suposto descumprimento de acordo.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo