Shopping e fornecedora são responsabilizados civilmente por acidente com escorpião em loja esportiva

Data:

assalto
Créditos: AEKKARAT DOUNGMANEERATTANA | iStock

O 2º Juizado Especial Cível de Águas Claras condenou, de forma solidária, o Condomínio Civil Voluntário Outlet Premium Brasília e a empresa Adidas do Brasil Ltda. ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 4 mil a um consumidor que foi picado por um escorpião enquanto realizava compras em loja da marca esportiva instalada no shopping.

Conforme narrado nos autos, o incidente ocorreu em 19 de janeiro de 2025, por volta das 16h, no interior da loja Adidas. Após a picada, o cliente foi amparado por funcionários, que providenciaram seu encaminhamento ao hospital mais próximo por meio de ambulância do próprio centro comercial. Contudo, o autor relatou que o veículo dispunha apenas de motorista, sem qualquer profissional de saúde capacitado para prestar atendimento durante o transporte. O consumidor permaneceu com dor e inchaço por vários dias, ficando temporariamente impossibilitado de exercer sua atividade como motorista de aplicativo.

Em sua defesa, a Adidas alegou ter adotado todas as providências possíveis, negando a existência de dano moral. O Shopping Outlet Premium, por sua vez, invocou caso fortuito e força maior, sustentando que não seria previsível o aparecimento de um animal peçonhento em suas dependências.

A magistrada, contudo, afastou os argumentos das rés, reconhecendo a existência de falha na prestação do serviço. Em sua fundamentação, destacou que o episódio não se trata de caso fortuito externo, mas sim de fortuito interno, uma vez que está relacionado à própria atividade desempenhada pelas empresas. Ressaltou ainda que é dever dos estabelecimentos comerciais manter o ambiente seguro e livre de riscos à integridade física dos consumidores.

A sentença também reconheceu a responsabilidade solidária das rés, por integrarem a mesma cadeia de fornecimento, auferindo lucros decorrentes da atividade econômica explorada. Segundo o juízo, o episódio foi apto a causar sofrimento, susto e insegurança, configurando violação à legítima expectativa do consumidor quanto à segurança mínima no interior de um estabelecimento comercial.

Ao fixar o quantum indenizatório, a juíza levou em consideração que, apesar da dor e do abalo emocional, não houve complicações médicas graves, sendo o atendimento hospitalar suficiente para a estabilização do quadro. Assim, o valor de R$ 4 mil foi considerado razoável, observando os princípios da proporcionalidade e da função compensatória e pedagógica da reparação civil.

A decisão é passível de recurso.

(Com informações do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios – TJDFT)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça do Rio nega prisão domiciliar humanitária ao ator José Dumont

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de prisão domiciliar humanitária formulado pela defesa do ator José Dumont, de 76 anos. Condenado a dez anos e quatro meses de reclusão pelos crimes de estupro de vulnerável e posse de pornografia infantil, ele permanece cumprindo pena em regime fechado.

STJ admite desvinculação de resultados desabonadores associados ao nome de pessoa

O STJ manteve decisão que determinou a desindexação de resultados considerados desabonadores associados exclusivamente ao nome de uma mulher. Para a Terceira Turma, a medida não representa aplicação do direito ao esquecimento, mas proteção à intimidade e aos dados pessoais. Os conteúdos permanecem disponíveis nos sites de origem e podem ser localizados por outras palavras-chave.

Clubes de futebol se posicionam contra possível proibição das bets

Clubes e federações de futebol se manifestam contra possível proibição dos cassinos on-line e defendem a manutenção do mercado regulado de apostas, com maior fiscalização e combate às plataformas ilegais.

Banco Central altera regras do Pix e amplia mecanismos de segurança

Banco Central aprova novas regras para o Pix, amplia o uso do Pix Automático, regulamenta a cobrança híbrida e reforça as obrigações das instituições financeiras na prevenção e no combate a fraudes.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo