Conselheiro destaca uso ético e responsável da IA no Judiciário durante audiência na Câmara dos Deputados

Data:

norton
Créditos: Jirsak | iStock

O presidente da Comissão de Tecnologia da Informação e Inovação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conselheiro Paulo Schoucair, participou nesta quarta-feira (26/11) de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre os impactos da inteligência artificial no sistema de justiça. Durante o evento, ele apresentou reflexões sobre o papel estratégico da tecnologia no Judiciário e sobre como sua adoção vem transformando a prestação jurisdicional no país.

Ao abordar o cenário de elevada litigiosidade — mais de 83 milhões de processos tramitando nos sistemas eletrônicos e outros 350 milhões já arquivados, mas ainda pendentes de tratamento — Schoucair enfatizou a necessidade do uso responsável, transparente e alinhado às garantias fundamentais. “Nenhum lugar no mundo litiga mais do que o Brasil. A IA é uma ferramenta essencial para essa mudança de paradigma. Precisamos compreender que seu uso não apenas apoia, mas transforma rotinas, modelos de gestão e o atendimento ao cidadão”, afirmou.

O conselheiro observou que sistemas inteligentes já têm auxiliado na automação de tarefas repetitivas, na identificação de padrões de litígios e na ampliação do acesso à informação pelo público. Reforçou, contudo, que a atuação humana permanece central. “A tecnologia deve ampliar capacidades, não substituir a atividade jurisdicional. Não temos sentenças automatizadas; a função do magistrado permanece inalterada”, destacou.

Schoucair apontou ainda que diversas atividades internas vêm sendo aprimoradas com ferramentas digitais, como o trabalho dos oficiais de justiça. Com a expansão das intimações eletrônicas, suas atribuições foram redimensionadas. “Hoje, os oficiais contribuem também para a localização de patrimônio de devedores, apoiados por tecnologias de consulta e rastreamento”, explicou.

O conselheiro mencionou os avanços recentes na regulamentação do tema, especialmente a Resolução CNJ n. 615/2025, que atualizou as diretrizes para o uso de IA no Judiciário. Entre os principais pontos, citou a criação de um comitê nacional para definir quais ferramentas podem ser utilizadas e seus níveis de risco; o lançamento da plataforma Sinapses, destinada ao registro e auditoria de sistemas; e a regulamentação da inteligência artificial generativa, capaz de produzir textos e outros conteúdos. “Mais do que eficiência, buscamos uma Justiça qualificada, inclusiva e ética. A tecnologia é um meio; a finalidade permanece a mesma: servir ao cidadão”, concluiu.

Também participaram da audiência representantes do sistema de justiça e especialistas, como o ex-conselheiro do CNJ Luiz Fernando Bandeira de Mello, coordenador do grupo responsável pela regulamentação da IA no Judiciário; a defensora pública geral de São Paulo, Luciana Jordão da Motta de Carvalho; a coordenadora executiva da Fenajufe, Sandra Cristina Dias; e o professor da UFABC e pesquisador do CNPq, Sérgio Amadeu da Silveira, representante da Fenajud, entre outros.

(Com informações do CNJ)

Participe e receba as postagens diárias do Portal Juristas.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do Whatsapp.

PARTICIPE DO CANAL
Juristas

Acompanhe o Juristas no Google News

receba as principais notícias jurídicas do Brasil

Seguir no Google

Deixe um comentário

Compartilhe

Inscreva-se

Últimas

Recentes
Veja Mais

Justiça dos EUA suspende fusão bilionária entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação antitruste

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu a fusão de aproximadamente US$ 110 bilhões entre Warner Bros. Discovery e Paramount após ação movida por 12 estados, liderados pela Califórnia. Os autores sustentam que a operação viola a legislação antitruste e poderá reduzir significativamente a concorrência nos mercados de cinema, televisão e entretenimento. O caso ainda será analisado pela Justiça, enquanto a transação também aguarda aprovação de reguladores internacionais.

Eduardo Bolsonaro obtém green card nos EUA após condenação pelo STF

Eduardo Bolsonaro recebeu o green card dos Estados Unidos, documento que lhe garante residência permanente no país. A concessão ocorre após sua condenação pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. O documento amplia sua estabilidade migratória nos EUA, embora não lhe confira direitos políticos, como o voto nas eleições norte-americanas.

Justiça mantém justa causa de trabalhadora que gravou vídeos no TikTok com uniforme e críticas à empresa

A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de uma trabalhadora que gravou vídeos para o TikTok nas dependências da empresa, utilizando uniforme com identificação da empregadora e divulgando informações consideradas falsas sobre o ambiente de trabalho. A decisão concluiu que a conduta violou normas internas, comprometeu a imagem da empresa e configurou mau procedimento, indisciplina e ato lesivo à honra do empregador, nos termos da CLT.

Copa do Mundo impulsiona apostas esportivas, mas setor enfrenta pressão por regras mais rígidas sobre publicidade

A Copa do Mundo impulsionou o mercado brasileiro de apostas esportivas, registrando aumento expressivo no número de apostas e no volume de transações. Apesar do crescimento, o setor não atingiu as projeções esperadas e passou a enfrentar maior pressão por regras mais rígidas para a publicidade das bets. O governo federal reforçou normas sobre propaganda, enquanto órgãos públicos e entidades civis discutem novas medidas para ampliar a proteção dos consumidores.

Descubra mais sobre Juristas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo