
O Portal Juristas promoveu uma live dedicada ao tema “Tribunal do Júri: entre a lei, a tese e a persuasão”, reunindo especialistas para um debate aprofundado sobre os fundamentos, desafios e a prática desse importante instituto do Direito Penal brasileiro. O encontro abordou desde a origem histórica do júri até sua aplicação contemporânea, destacando o papel decisivo da argumentação jurídica e da influência dos jurados leigos no julgamento.
Durante a transmissão, foi ressaltado que o Tribunal do Júri, previsto na Constituição Federal de 1988, constitui uma garantia fundamental, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, como homicídio, infanticídio, participação em suicídio e aborto. Sua estrutura bifásica — composta pela fase de pronúncia e pelo julgamento em plenário — evidencia a divisão entre o juízo técnico e a decisão popular, esta última exercida por jurados que deliberam com base na íntima convicção.
Os debatedores enfatizaram que o julgamento no júri vai além da aplicação fria da lei, sendo marcado por um verdadeiro “duelo de teses” entre acusação e defesa. Nesse cenário, a persuasão assume papel central, uma vez que os jurados não são obrigados a fundamentar suas decisões, o que amplia a relevância da narrativa construída em plenário. A capacidade de reconstruir os fatos, mobilizar emoções e apresentar argumentos consistentes pode ser determinante para o veredito.
Também foram discutidas controvérsias relevantes, como a influência da mídia em casos de grande repercussão, o princípio da soberania dos veredictos e a possibilidade de decisões baseadas em critérios não estritamente jurídicos. Exemplos práticos e casos emblemáticos ilustraram como fatores emocionais e sociais podem impactar o julgamento, reforçando o caráter democrático — e ao mesmo tempo desafiador — do júri popular.
Outro ponto de destaque foi a análise das principais teses utilizadas pelas partes. Enquanto a acusação busca comprovar autoria, materialidade e dolo, a defesa pode recorrer a estratégias como negativa de autoria, legítima defesa, ausência de provas ou até pedidos de absolvição por clemência. A construção dessas teses exige não apenas técnico, mas também habilidade retórica e sensibilidade diante do perfil dos jurados.
Por fim, a live destacou tendências recentes, como o uso de tecnologias no processo, a simplificação dos quesitos e propostas legislativas voltadas à paridade de armas entre acusação e defesa. Apesar das críticas e desafios, o Tribunal do Júri permanece como um dos mais relevantes instrumentos de participação popular na Justiça brasileira, refletindo valores sociais e promovendo o debate democrático no âmbito penal.
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